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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Casal da Marinha.

Por um conjunto de fatores, as hortenses este ano encheram os jardins e as bordas das estradas. A hortense é uma flor gregária, junta-se a outras formando uma moita com a dimensão adequada às paisagens, às serras e aos vales (manchas de cordilheiras ficam bem ao fundo). E já vi paredões de castelo diminuírem-se com hortenses. Este ano, por causa da humidade e da frescura, ei-las galáxias à mão. ...E o Vasco Graça Moura: "elemento proscénio".
 
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domingo, 8 de junho de 2014

Ainda Lisboa

O mar da Palha, o parque Eduardo VII e a bandeira que os encima lembram-me aquele petiz que à pergunta quem é "o maior", responde com ar convencido que é ele. Não é Vasco da Gama nem Ronaldo, «sou eu». E depois, vai-se a ver, à terceira ou quarta insistência do aluno, notamos que de facto tem qualquer coisa de especial. O mar da Palha, o parque Eduardo VII e a bandeira gigante tanto teimam em chamar a nossa atenção que acabamos por descobrir ao conjunto semelhanças com o Corcovado e as traseiras relvadas do palácio de Buckingham, «os maiores».
 
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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Visibilidade aos nomes

 
Na margem direita, entre a curva que faz para sul na região do Entroncamento e a Azambuja, o Tejo recebe as águas das encostas nascentes das serras dos Candeeiros, Aires e Santo António. O Almonda e o Alviela como rios bem definidos têm direito a constar nos mapas, mas o rio Maior, talvez por ser um daqueles casos cuja bacia e respetivos afluentes se confundem em importância, é omitido inclusivamente pelo Google Earth. Foi precisamente por me lembrar de um desses afluentes, o que nasce em Alcobertas, num autêntico vulcão de água, que eu decidi escrever este artigo. Quem conhece os olhos de água do Alviela sabe do que falo. São milhões de litros de água por segundo a brotar do chão em força e a correr por ali abaixo, já em margens prensadas. Ninguém conhece o nome a este vigoroso rebento, nem os próprios aldeões. Nasce incógnito mas depressa ganha um nome curioso: Fráguas, que o dicionário traduz como fogo e fornalha de ferreiro. O rio Maior não entra logo no Tejo, corre-lhe paralelo e só se une a ele depois da Azambuja; cada rio com a sua mania; mas caprichos à parte, o Fráguas é, da bacia hidrográfica, o nome que deveria figurar nos mapas: pela água e pelo fogo.

 

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Planalto


Elefantes, crocodilos, leões, hipopótamos, rinocerontes, girafas, jiboias, terroristas e tipoias.

 

domingo, 8 de setembro de 2013

Procellarium


Bipolar: ao «Mar da tranquilidade», a própria opõe-lhe um «Mar das tormentas». A lua balança entre dois polos humorísticos. Adenda: a procelária corta as procelas. Uma imagem justa, herein.
 
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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Pedras oblíquas

O terreno pode não torcer o caráter dos pequeninos mas ensina-os naturalmente a orientarem-se. A montanha, a costa, a mercearia da esquina. Havia na minha faculdade um daqueles professores que, para dar um estatuto «difícil» à cadeira, nunca se mostrava satisfeito com as respostas dos alunos. Um pouco de «circunstância» académica aos exames pode ficar bem, mas quando exageram, confundem os estudantes, os livros e o resto. Até à minha saída da faculdade o conceito de «condição de exercício» continuava incompleto. Voltemos ao terreno. A extremidade sudeste de Portugal não é curva de rio nem penha de águia, é um pontão de pedregulhos carregados pelo Alcindo, aqui de Rio Maior, homem que eu ainda conheci. Árvores e caminhos marcam a paisagem. E nós viramos à esquerda, contornamos, ou, às vezes, prolongamo-nos - e alguns só se completam -, pelo mar.

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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Le petit rectangle


A condição poética de «sacada para o Atlântico» permitiu ver ao sonhador Henrique a Índia pelo mar, mas a forma geométrica em si, um retângulo e não uma estrela ou uma meia-lua, revela-nos um país simples e prático, talhado por Afonso Henriques e demais fundadores do território nacional. A ideia que fica, vendo o mapa, é que bastou um marco, o do nordeste, para fazer o lote. A partir dele, um cordel para sul e outro para oeste e pronto: Portugal com quatro cantos retos. O de Sagres, que serviu de mocho ao conde D. Henrique, já muito se escreveu, quanto ao pontão de Vila Real de Santo António direi eu um dia umas palavrinhas laudatórias.

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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Barcelona doce

 
 
Temos uma bússola incrustada na cabeça embora a cultura tenha camuflado muito bem a agulha, aliás, a cultura fez outras sonegações ao corpo, um assunto do vosso interesse para tratar oportunamente. Barcelona é uma cidade regaço, num colo daqueles ninguém se perde. Com facilidade, em todo o lado encontramos bons sinaleiros, desde o Colombo que nos aponta a saída do Mediterrâneo até ao Gaudí que nos indica com agulhas o ar, passando pelo Picasso que deixou um mural traidor à sua Barcelona africana, às suas mulheres, em todo o lado há referências «por ali» ou «para aquele lado». E Barcelona tem relevo, sim senhor, mamas cobertas com árvores.
 
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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Passeio de domingo


Do farol da Nazaré para sul vê-se a reentrância de S. Martinho e a Serra dos Mangues. Ainda se nota, para quem tem boa vista, a ponta de Peniche e, na linha do horizonte do nosso lado direito, a Grã Berlenga. Como foi a primeira vez que estive no local, não o explorei muito bem, nem tive tempo para sonhar, sentado, com novos mundos. Sei é que já comi percebes destes buracos perigosos junto à muralha, apanhados por um colega do campo; e sei por dois pexins amigos que as ondas ali não passam dos 25 metros e mesmo essas são raras. À pergunta como é que sabiam a altura, riram-se: um segurava a vara graduada e o outro lia. A praia do norte, embora à mão, tem acessos difíceis, e é, sem exagero, das praias mais bonitas de Portugal. Aliás, tem Portugal dentro: pinhal, gente com calção, e também gente nua, todos caoticamente inebriados pelo sol e pelo mar. Sobretudo felizes pelo muito, muito amor ao mar. Portugal não é isto, muitoamoraomar?
 
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domingo, 12 de maio de 2013

A cada um a sua altitude

 
Lembram-se da "Estrela de prata" que o Asterix foi colher aos Alpes suíços? É a mítica Edelweiss que foi tema de muitos contos, histórias de amor e curas. Países-altitudes-e-flores, certo? A nossa Açucena-brava, um lírio branco raro, com o nome simples - para o caso -, de Paradisea Lusitânica, também se dá em altitudes mas... nos fundos, nas montanhas, mas nos vales, nas serras, mas, nos lameiros. Em Trás-os-Montes vimo-la no Parque de Montesinho. Não é tão mítica como o Edelweiss mas é mais condizente com o nome de Lírio do Paraíso. Lusitânica, so, ok.
 
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sábado, 11 de maio de 2013

Um mapa

Há relativamente pouco tempo um colega e amigo, no âmbito de uma pesquisa sobre património local, descobriu um mapa topográfico de 1791, desenhado - os mapas desenhavam-se à mão, claro -, com o perfil da futura estrada que ficou conhecida até hoje como a "Estrada D. Maria I" e que ligou Lisboa ao Porto durante quase duzentos anos. Esse mapa refere-se ao troço entre Rio Maior e a Batalha e atravessa as freguesias da Benedita, Turquel e por aí fora. Como o mapa é muito pormenorizado, pois tem perto de dois metros e meio de comprimento por 80 cm de altura, nele veem-se os lugares mais pequenos, lagoas, olivais, quintas, além de possuir quadros censitários e até ilustrações dos mosteiros de Alcobaça e da Batalha. É realmente um achado precioso. Fruto desta descoberta e do trabalho desenvolvido posteriormente o mapa com as dimensões originais está afixado à entrada da biblioteca da escola básica 2 da Benedita. Muitas notas interessantes se podem fazer sobre este "Mappa Topographico". Eu começaria por uma nota de chamada sobre o nome de família de um dos seus autores, o sargento-mor de infantaria Henrique Niemeyer. É que a genealogia às vezes é interessante.

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domingo, 28 de abril de 2013

Voltei


Estas merdas de me ligarem quando descanso tem que acabar. Portugal, que inclui plantas e animais, e rios, é um país de se ver. No meu périplo recente pelo mundo, embrenhei-me por Trás-os-Montes para o olhar de cima, isto é, para o ver com a distância dos anos e o afastamento do coração. Assim que cheguei à porta da aldeia da minha mãe perguntei a dois ganapos, com o rigor das alturas, se sabiam o nome "daquelas" árvores; eles não responderam como se me indicassem o nome de uma rua ou dessem a um qualquer viajante uma orientação (vire na segunda à direita e depois siga até aos semáforos), não, eles retorquiram como se eu andasse efetivamente perdido no mundo, género "nem o teu nome sabes, caralho". Passando à frente. Os castanheiros dão castanhas mas já deram batatas. Séculos à mesa a servir de acompanhamento, guarnição a nada. Estes que aqui vedes têm centenas de anos e foram do meu avô, possivelmente do meu duodecavô. Claro, se a Santa Casa me ajudar invisto no circuito todo: investigação, melhoria, plantação, apanha, venda e falência. Para terminar não queria deixar passar em claro esta unanimidade, a melhor castanha do mundo é a portuguesa, e dentro do ouriço, a melhor é a de Trás-os-Montes. Torga, do Marão, dizia-se do universo; ora, de mais alto fui eu à aldeia da minha mãe.
 
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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Palradores, grulhas...


Por ontem me ter esquecido de referir alguns dados curiosos do vosso agrado sobre a serra dos Candeeiros e as terras para ribamar, aqui vai mais um postal ilustrado cheiinho deles. A poucos metros do local de onde tirei esta fotografia, precisamente onde estão os dois carros (lado esquerdo), passa a estrada nacional 8-6 que tem, grosso modo, uma orientação paralela à serra. Podemos mesmo considera-la como o limite poente do vale, pois como se pode confirmar, a partir dela para cá o relevo "sobe". O vale não é direitinho como o de Caldas, a partir da 8-6 desce brandamente até um pego que se inunda nos invernos. Esse pego, em tudo semelhante à serra e às estradas no que diz respeito à orientação, chama-se rio Seco, que, à bazófias, debita ou para o Alcoa ou para o Baça. Na encosta pode ver-se mais que uma pedreira, e é certo que foi de uma delas que saíram as pedras para o antigo estádio da Luz. E por falar em estádio da Luz: bingo. Partindo dos dois carros, já referidos, e subindo pela fotografia acima damos de caras com a casa onde nasceu Joaquim Ferreira Bogalho, para muitos o maior presidente de sempre do Benfica. O lugar chama-se Chamiço e sei disto tudo porque estive para a comprar. Tenho esperança na Santa Casa para fundar a Casa do Benfica "Joaquim Bogalho". Nada é impossível à Santa, e para fazer jus à competência contabilística do maior beneditense de todos os tempos, 51% do plano de atividades da "minha" casa, seriam dedicados às artes, aos livros e à ciência. O mistério de só dar 49% ao desporto não é nenhum mistério: como sabeis, o desporto é cultura. "Pedras e beijos", é o título deste postal. Abraços. P.S. Muitas coisas ficaram por dizer, desta região e do mundo, mas fico-me por aqui.
 
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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Bilhete

 
A serra dos Candeeiros tem vários nomes, na ponta norte, por exemplo, chamam-lhe serra dos Moleanos, é um nome mais ou menos conhecido a nível nacional por ser daqui a pedra "moleanos", a melhor calcária que se usa na construção; outro nome que se dá à serra é "Albardos". Em relação a este nome o que tenho lido é que deriva do árabe albardo que significa frio. No entanto, não me custaria nada a acreditar que a denominação viesse da sua morfologia semelhante ao dorso perfeito de um animal. De facto, apetece montar  a serra comprida e de topo arredondado. Na encosta nascente dão-lhe ainda outros gentílicos ligados às suas povoações: Mendiga, Alcobertas, etc. Mas, definitivamente, o mais comum atualmente é Candeeiros que vem do lugar com o mesmo nome pertencente à freguesia da Benedita. Tem cerca de 25 quilómetros de comprido e possui uma orientação paralela à linha da costa, que dista também à volta dos 20 quilómetros. Esta região, ligada à fundação da nacionalidade, foi marcada pela colonização beneditina: pomares, pomares e missas. Bons especialistas escreveram sobre ela, a começar por Orlando Ribeiro  e a acabar em Vieira Natividade, passando por este Lopes Cardoso. Indo do mar para a serra atravessamos 3 ou 4 zonas bem distintas umas das outras. Logo junto ao mar há uma serra. A encosta é por isso alta e com lajes, algumas com pegadas de dinossauros; a seguir vem um vale tifónico, lisinho, onde vivem os caldenses com pompa e circunstância. Continuando para a serra dos Candeeiros atravessamos uma região de colinas e ravinas que rimam muito bem umas com as outras. E chegamos finalmente ao vale mostrado na fotografia onde tenho a minha dacha. É um vale de escoamento cujo ralo é a Nazaré e foi durante séculos uma boa passagem entre o norte e o sul do país. Por aqui passaram as tropas napoleónicas (penso que sim), a estrada dona Maria (séc. XIX), a estrada nacional nº 1, e seria por ele que passaria o TGV. Julgo que Brutus, o miliciano romano que invadiu a Galiza indo do sul também terá passado por esta vinha vindimada. Está quase a tocar para a minha aula, tenho que ir montar um circuito gímnico, mas se quiserem visitar as pegadas dos dinossauros, peçam-me que eu sou dos muito poucos que sabem onde ficam. Calcem sapatilhas. Abraços.
 
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