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sábado, 10 de maio de 2014

Kavafis & Sophia

 
Isto de ir a banhos é uma coisa,
Outra, são as viagens pelo mar.
Quem embarca não cai neste abismo
De sol
Não se afunda numa lambreta
Como eu de toalha ao ombro.
 
***

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A água como pretexto

 
Azul, vermelho, amarelo e verde
 
Quando saía da piscina ou do rio,
Ou do mar,
Fazia um chicote com a cabeça
Para tirar o cabelo da testa,
Que, nem aos olhos chegava.

Queria ser famoso, somente.
Apenas ansiedade à chuva. 
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O'Neill de Portugal

O que diria O'Neill a este «Portugal é mar»? «Não arrisco tanto marisco»? À parte os hectolitros, temos ainda todos os sonhos do mundo. Ainda acredito, por exemplo, em sermos uma sociedade desenvolvida e sem grandes desigualdades. Só que, às vezes caio no duro e leal chão.
 
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Esoterismos

Nasci em 1957 e por essa razão faço 57 anos (somando-os encontramos o ano de 2014). É um ano de reflexão, de encontro comigo, de olhar ao espelho e ver as costas. A poesia obriga-nos a momentos destes. Aos dias e aos ângulos.
 
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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Ato de criação

O vento mexe-se e por isso
Tem vida.
Empurra, dono de tudo.
O ar vivo até abusa das pedras quietas.

Vento forte em pedra mole...

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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

De borco


No Expresso vinha um comparativo biomecânico dos remates do Ronaldo e do Eusébio. O Ronaldo bloqueia o corpo com uma rotação dos ombros no sentido contrário ao do disparo. A balística explica, o movimento escapular tem a função fixadora que trava o corpo para a perna rematadora poder projetar a bola. Nos mecanismos de tiro mecânico (catapultas, fisgas, etc.) é muito fácil de perceber: o projétil vai mais longe, tanto quanto os postes aguentarem a tensão dos elásticos. Ou, corram e tropecem em algo fixo no chão.
 
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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Comuns e caras


 Palavras-mundo, árvore. Palavras-cara, bonito.

sábado, 21 de setembro de 2013

Abri as cortinas e vede

Há dia para dez minutos, pouco mais;
Os inteiros e claros acabaram com a descida,
Novamente, da noite.
Para os pouco habituados a estas coisas da poesia
Convém ser um pouco mais direto: 
O sol nasce mais tarde e põe-se mais cedo,
Entre os dois momentos duas palavras,
E noite dentro, duas batatas.
 
(Van Caravaggio Andresen)
 
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domingo, 8 de setembro de 2013

Procellarium


Bipolar: ao «Mar da tranquilidade», a própria opõe-lhe um «Mar das tormentas». A lua balança entre dois polos humorísticos. Adenda: a procelária corta as procelas. Uma imagem justa, herein.
 
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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Tic-tac e grilhetas

D'andar por aqui, aqui me fico.
Chega-me, 
Ver a noite como pancadas de horas,
Como relâmpago que engoma a ferro.
E, de vê-la e d'andar por aqui
Fiz caminho de pé posto.
 
Além do mais,
Sarrabiscos cruzam os céus

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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Mais uma dica

Velho sonho de me surpreender
De ir e não voltar, para chegar
E não partir. Ó dias, ó roda,
Não fossem estes versos mal partidos,
E nem sonharia que o que gira
Vai de velho para novo.

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quinta-feira, 9 de maio de 2013

Doem-me as costa, ando com sono e tenho sempre fome.


Esta é a minha agenda de trabalho, uma moleskine preta. Tem de tudo, desde notas de reuniões, contactos importantes, esboços de relatório, depoimentos, avaliações de alunos (deixei-me de "excéis"  e de grelhas), e, claro, alguns desenhos. Tem ainda um poema sobre o tempo como nosso dono. Quem sente o tempo nas costas, ainda que tenha o mesmo futuro que todos, olha sempre em frente e vive uma agenda cheia. Mas fora o poema ou a sua ideia de estar neste mundo, tudo nesta agenda é uma rascunhada pegada.
 
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domingo, 3 de março de 2013

Orientalistas portugueses

Algumas traduções do famoso haiku de Matsuô Mashô (retirado do extinto blogue da rua nove):

Furu ike ya
Kawazu tobikomu
Mizu no oto
Matsuô Bashô (1644-1694)

Ah! o velho poço!
uma rã salta
som da água.
Tradução de Armando Martins Janeira (1914-1988)

Quebrando o silêncio
do charco antigo a rã salta
n'água - ressoar fundo.
Tradução de Jorge de Sena (1919-1978)

Um templo, um tanque musgoso;
Mudez, apenas cortada
Pelo ruído das rãs,
Saltando à água, mais nada...
Tradução de Wenceslau de Moraes (1854-1929)

Ah! o velho lago
... o baque na água.
Tradução de Paulo Rocha e António Reis (publicada em 1970) - sobre esta tradução, AQUI

As traduções, como sabemos e como diria a jovem Susan Sontag, podem ser de dois tipos. A de S. Jerónimo, que recorria bastante à literalidade, e a criativa à qual me baseio eu. Às vezes, como acontece no caso presente, somos captados pelo espírito das palavras e... na mosca!
 
Furu ike ya
Kawazu tobikomu
Mizu no oto

No lago eterno
saltaram quatro sapos
tempo acordado.

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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Partiiiiiiiiiiiiiiiida !!

 
Em abril, 24 e 28, vou andar de TGV
 
E por falar em grandes planícies:
Já era assim em garoto,
Sempre ao sabor da mão de alguém.
E mantenho-me: ao vento resisto
Ou ao vento deixo-me ir;
É fado, é o que quiserem, é o toque do mundo;
Dou-me a ele pela pele, e à troca,
Recebo-o, sempre mexido, pela janela.

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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Animação de palavras

O vento sopra em todas as direções
E como certos animais,
Alguém pressente um sismo a termo;
À minha espera está um lugar com árvores azuis
E folhas caídas a servirem de tapete,
Numa estética melancólica simples;
Não sou o escolhido,
Pelo contrário, sou louco;
Explico o mundo por demónios:
Este,
Soltou-se da América e em fúria atravessou o mar;
E nada, quieto-me:
Nem o tiro fatal,
Só uma brisa e um lugar com cachecol caído.
Caralho, se falo por verdades simples!

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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Destoado nas colinas

Sempre achei o Alberto Caeiro, o Alberto Caeiro. Por estranho que pareça é por ser peça única - lisboeta pastor, de olhos azuis e louro - , que é o que é, o Alberto Caeiro, e não como guardador de rebanhos sem filosofia. Repito, peça única: um pastor lisboeta, loiro e de olhos azuis.
 
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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Algazarra

 
Onde estavam enquanto eu olhava as estrelas?
Porque vindes?
Quando eu via a Ursa, a passarada, as copas, o vento
Quando ouvia o patusco mar
Quem queria saber de mim?
E porque não regresso eu, invisível, a esse tempo?
 
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terça-feira, 17 de julho de 2012

«EU»


Mais próximo da realidade. Desenho com café.

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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Poemas

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Capadócia

No fundo do vale há uma chaminé a fumegar,

O fumo sobe lento, silencioso e errante;

Ouve-se o som cadenciado de um machado;

As encostas do vale têm pinheiros e vê-se uma casa

Aqui ou ali, e uma estrada que ora aparece, ora

Desaparece; no céu, também entrecortado,

Por cúmulos e pelo voo de um bando de pássaros

Nada acontece; em todo o cenário não há um escândalo;

Não fora tudo parecer um berlinde, e diríamos

Que a realidade é panorâmica, serena e cruzada.


 

***