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sábado, 19 de julho de 2014

Bancos

Assim como o suinicultor não pode ser abstraído da criação e abate de porcos, o homem da banca não pode ser alheado da usura. Cada um tem a sua especificidade, os que ensinam são professores, os que praticam a agiotagem legal são banqueiros. Não há cá casuísmos nestes vínculos objetivos de atividade, a sociedade aceita-os e pronto (a cada um caber-lhe-á mesmo, uma função nobre para o bem comum). A crise do sistema bancário (visto por um NMNM - que, Nunca Mandará Nesta Merda -), tem mais a ver com o triunfo neoliberal do que com comportamentos de banqueiros (também tem). O assassínio que o sistema está a fazer banco a banco - a seguir vão à CGD e só não vão aos alemães porque se escondem atrás do euro -, é uma prova da completa roda-livre em que entrou o mercado. Parecem-me bancos a mais para ser só incompetência e desonestidade. O esplendor neoliberal é vivermos como predadores, canibalizarmos o mais fraco. Depois, sob a capa de desideologizar, o capitalismo selvagem apresenta os reguladores «externos», toda uma nomenclatura própria que avaliza o cheque ao mais forte. Vou ao sapateiro pôr meias-solas e já volto.
 
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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Sipaio versus Sottomayor Cardia Inchado

Ataques pessoais que não sejam ao homem existem. Há-os no futebol, nas marcações. Há-os na vida, cada vez que cerro o sobrolho a um aluno. Ó Costa, o que fizeste não é bonito. Não tenho que me meter, mas lá que é pessoal é, entre ti e o Seguro. Agora, eu, que costumo votar no PS, vou dar o meu voto a um gajo que espeta facas nas costas de outro? Estás maluco ou quê?! E depois, mesmo politicamente, deixa-me dizer-te que uma federação à esquerda é romântica mas é igualmente aventureira. Pensa no seguinte: tens estaleca para venezuelares isto? Reconheço-te algum carisma, mas não tanto. E para renegociares a dívida, que tem tanto de urgente quanto de difícil, são precisos espantalhos, com quem, ou com que é que tu vais assustar a troika? Sobre a própria austeridade (sshhht), intuímos o que pensa Seguro. Nesse aspeto, seguirá sensatamente:  as pedras do país arruinado pela política de direita não se deitam fora. Do you understand me? cognize? what the novel cognizes, discerns, knows.
 
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domingo, 1 de junho de 2014

Popstar

 
Ronaldo está a passar pelo que Beckham passou, anúncios atrás de anúncios, compromissos comerciais e próprios do "star system", etc., as consequências só podiam ser também beckhianas, um quilinho a mais, tempo de recuperação de lesões muito longo e, sobretudo, sub-rendimento desportivo. António Costa, porém, é dos três, o caso mais bicudo.
 
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sábado, 31 de maio de 2014

Cidadãos ricos ou um país de bêémes


Relativamente ao chumbo constitucional do "corte de despesas" e o empurrão que isso significa na subida de impostos, não consigo perceber a desilusão de alguns. Portugal não tem uma cultura de impostos, em primeiro lugar devido à  perpétua e suposta pobreza do povo, e em segundo lugar porque isso exigiria um estado - um país -, superiormente organizado. Quando soubemos que Bergman "abandonou a pátria" para fugir aos impostos, achámos o motivo exótico. Portugal, a acontecer-lhe um agravamento tributário começará a escrutinar e a exigir melhor estado (e ao contrário do que pensam muitos, eu julgo que a economia paralela seria mais pressionada). É agora que chegamos ao exotismo da social-democracia? Empurrãozinho daqui e dali vamos percebendo que para sermos ricos bastam-nos boas escolas, hospitais e tribunais e, no fim, uma bicicleta bem boa. 
 
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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Entre nós


Com António Costa o PS podia sonhar com maioria absoluta, mas quando a esmola é grande o pobre desconfia. De populismos e mediatismos estão a política e a história cheias. Podem alegar, "ah, mas não é Santana Lopes". Pois não, é um afável altissonante. O presidente da câmara tem um discurso claro, muito articulado, e parece inteligente nas análises que faz à situação atual mas um político de fundo não deita bombinhas. Vai à luta, ganha o aparelho, lida diariamente com militantes e o partido. O país precisa mais de cumpridores de horários e regras do que políticos extemporâneos.
 
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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Xeque ao rei


As "europeias" deram xeque-mate ao líder da direita, o presidente da república. Podemos discordar na análise do mano-a-mano entre o PS e a Confederação do mal e termos opiniões diferentes na comparação com as "europeias" de 2009, por exemplo. Mas além dos números há também conclusões políticas. De substância, como dizem os legistas. E neste tabuleiro naturalmente político, além da derrota histórica, assumida, dos neoliberais, há claramente uma vitória revolucionária das ideias opostas à austeridade pura. É no somatório dos votos de esquerda que Cavaco Silva é agazulado*: ou convoca "legislativas" para breve ou "governa" antidemocraticamente. Mais, ...nada.

*Agarrado pelo pelos colarinhos (Trás-os-Montes)

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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Andam na minha mala textos curtos sobre a América do arguto Sena


Salinas de Rio Maior, Maio de 2014

Se a "saída limpa", o propalado slogan triunfalista, fosse o resultado de sacrifícios justos do ponto vista social, até haveria mérito do governo de direita. Churchill, por exemplo, apelou às secreções orgânicas do povo mas tinha também uma credibilidade física (prisioneiro, saltou de um comboio em andamento, em Moçambique). Não é boutade. A porta de "saída", a única, a mais justa, a que mais diz respeito a mim e a ti, incluiria sempre "sangue" dos mais ricos e poderosos; reforme-se o aparelho de estado, a economia, o que se quiser, mas a ideia de uma sociedade "para todos", que até é constitucional, incluiria um chega para lá à oligarquia financeira, já que eles nem de um banquinho saltaram.
 
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terça-feira, 25 de março de 2014

Há vida para além da História

O partido comunista e o bloco de esquerda fogem do poder como diabo da cruz. A direita, pelo contrário, apresenta-se com grande frontalidade, assumindo-se, como Paulo Portas se assume perante a governação, com sorrisos e sem complexos de falhar. Mas falham, e falham com aquele à-vontade, o mesmo, aliás, com que a extrema esquerda se recusa, por exemplo, a aceitar a liberdade, a economia de mercado e a sua competitividade. Trata-se de um comportamento que traduz  mais constrangimento cultural do que mera tática partidária. Poder, só nos escombros do capitalismo. As grandes diferenças sociais que existem no país acabam por se dever também a eles, ao bloco de esquerda e ao partido comunista, por via desta recusa em integrar governos. Um bê-á-bá dos pássaros para as próximas legislativas. E uma pequena explicação para o falhanço do sistema loiro em Portugal.
 
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quarta-feira, 19 de março de 2014

Pastagens comuns (novo post)

O conceito de espaço vital é um conceito biopolítico. E por ser «bio» lembrei-me do nosso espaço individual de segurança, que foi explorado pelas neurociências para provar na prática a reação do cérebro reptiliano. O espaço individual, o mais próximo do nosso corpo, quando invadido por intrusos não é defendido com retórica mas de forma irracional e com agressividade. Tal como faria um jacaré. A violência "reivindicada" pelo grupo no espaço vital parece ter por base o mesmo cérebro reptiliano. Mas tudo isto não passa de ruminações do neocortex, "especulações" como vocês diriam.
 
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domingo, 2 de março de 2014

Machete disse

Para uma mente binária como a nossa, constantemente a julgar e a dividir os homens em bons e maus, a "guerra fria" conseguiu evitar muito sangue (do bom). Já para um mundo múltiplo, não há cérebro suficiente para uma paz "calculada". Tenho lido quase tudo sobre a crise ucraniana e a confusão é tanta que não se distinguem os bons dos maus. Se usarmos os "zeros" e "uns" do tempo da guerra fria, consegue-se vislumbrar de um lado a velha Rússia imperialista e do outro a "pequena" Ucrânia nacionalista. "Bons" de um lado e "maus" do outro. Mas no mundo atual - e não nos podemos esquecer que este mundo é o resultado de uma vitória "ocidental" - as circunstâncias não nos permitem esta dicotomia clássica. Onde meteríamos, por exemplo, a extrema direita, segundo alguns nazista, que comanda a revolução ucraniana?, e os milhões de russos que habitam o sul e o leste da Ucrânia? e já agora, para usar um argumento de mercado, onde cabe, nesta história ingénua de "aproximação à Europa", a dependência energética ao gás siberiano e a impotência económica europeia? Quando os bons e os maus não se distinguem... a própria NATO será suficientemente boa? 
 
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Sugestão para seguir


Félix Cucurull
 
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Quem viu e ouviu António Capucho na sua recente entrevista não pode deixar de concordar que estamos perante um homem de inteligência superior; pelo menos diante de uma pessoa muito politizada. Qualquer próximo governo deveria convidá-lo, porque qualquer próximo governo será sempre social-democrata e nunca neoliberal. Do PS, claro. Poderá haver políticos programáticos, táticos, estrategos, aparelhistas, com perfil para a pasta "x", etc., os partidos têm-nos para todos os sítios, mas politizados há poucos e fazem muita falta. Freitas do Amaral, por exemplo, igualmente um 'senador' sem partido (que foi pedir emprego a Sócrates), falhou no papel de "flor" no ramalhete, precisamente porque é politicamente oco, sem convicções numa "sociedade melhor". Capucho, não. O percurso dele dá garantias de mais-valias políticas e até ficava bem no ramo de um governo "diversificado". Ponham o Capucho.
 
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sábado, 14 de dezembro de 2013

A norma


"Extasiados"
 
A sociedade neoliberal baseia-se num conjunto de valores éticos, estéticos e produtivos, considerados como uma norma. Do que nem todos têm consciência é de que essa norma dizima sempre, mas sempre, alguém. A norma é constitutiva. Independentemente do esforço de cada um, o neoliberalismo estratifica-nos em três classes em relação à norma: a classe dos que a ultrapassam com mérito, à classe maioritária que a define, e a classe dos falhados. A sociedade normativa exclui deste modo, sempre, alguém. A «crise» obedece a este modelo ideal de sociedade dirigido pelos ditames normativos.
 
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domingo, 1 de dezembro de 2013

Voltei, pomba


Raminhos de oliveira

Portugal, durante todo o século XX, teve menos de doze mil baixas em guerras. Doze mil. Na guerra colonial perto de quatro mil e na 1ª grande guerra oito mil. A pequenez dos números face aos cem milhões de mortos no século mais violento da humanidade tem muitas explicações com certeza. Mas a prosaica vida interna, arraigada na obediência à igreja e ao fado, é sem dúvida a razão da inexistência de guerras civis. E firmes e entranhados caminhamos.
 
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terça-feira, 26 de novembro de 2013

«Manobras»: Eanes e o barco indonésio

A referência de Mário Soares à violência latente, ainda que oportunista, é mais retórica do que real. A direita, aliás, usa muito esse argumento mas doutra forma: sempre que a esquerda está no poder, abana o espantalho da insegurança na rua, na escola, nos bairros, nas cidades... E explora muito bem o sentimento inerente: é o polícia que foi preso, são os professores que não têm autoridade, são os ciganos «parasitas», os emigrantes de leste «violentos», etc.. O «alerta» de Soares é retórico e especulativo porque não faz mais do que utilizar a eficácia do medo, a mesma que a direita utiliza quando está na oposição.
 
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Crescimento económico

Na anedota do velho, que pede ao farmacêutico um niquinho de viagra «só para não urinar nas calças», o «crescimento» apesar de tudo, é proporcional à toma. Já no caso das doses cavalares de austeridade a tesão conseguida...
 
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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Dai-me uma alavanca, não, uma máquina fotográfica e um ponto de apoio



Sempre fiel ao Dark Roasted Blend
 
Com a mobilidade, a globalização da economia e agora, a internet, os nacionalismos terão que ser revistos, de facto. Estamos ainda na fase de ganhar vantagens fazendo batota para o «nosso» país, mas a tendência é cada vez mais a de olhar para o «global», para o mundo que se  tornou irremediavelmente pequenino. Grande desigualdade entre nações põe em perigo o equilíbrio necessário para a paz.  Duma forma ou de outra a Alemanha perderá sempre a «sua» guerra. A vitória é nossa, do mundo! Um pouco mais a sério: nem todos os não nacionalistas são menos umbiguistas que os nacionalistas. Os muçulmanos, por exemplo, não gostam de orgulhos pátrios mas por outro lado propõem um pan-nacionalismo «centrado». É só um outro umbigo.
 
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domingo, 13 de outubro de 2013

Despiste político

Rui Machete tem sintomas demenciais (alzheimer ou outra doença). Isto muda completamente de figura o quadro da análise política, política e até pessoal. Os esquecimentos, as trocas, as desculpas, são demasiado primárias e infantis para partirem de um homem são. E se a sua bonomia me confundiu inicialmente, agora, analisando a própria aceitação do cargo de ministro de estado e dos negócios estrangeiros no pior governo depois do 25 abril, tendo em conta o seu histórico passado político, estou convencido que já nessa altura revelava a incapacidade de discernimento típica das demências. Amigos de Sr. ministro: médico com ele.
 
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domingo, 6 de outubro de 2013

República, sempre

 
A Igreja Católica já pediu desculpas por diversas vezes: aos judeus, às "vítimas" da Inquisição, etc.. A Austrália, por exemplo, redimiu-se perante os aborígenes. E Portugal, atualizado-se, acaba de pedir desculpa a Angola. Pelos 500 anos de colonialismo? Não. O ministro dos negócios estrangeiros, Rui Machete, pediu desculpa pelas investigações que a justiça portuguesa está a fazer a corruptos angolanos. Ora bem, antes assim do que se meter em assuntos históricos para ele desconhecidos. De matérias do seu foro é menos grave.

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domingo, 15 de setembro de 2013

O vidente e o anónimo


 

domingo, 1 de setembro de 2013

Pastorinho

 
«Eu ilumino-te»
 
Não sei se a maioria dos portugueses tem noção das consequências morais da política deste governo. Há tempos, perante uma fotografia de Salazar com as solas rotas, duas colegas minhas, uma de cada lado, comentaram em como ele era poupado. E não se riram. A mensagem de austeridade pega como fogo em palha seca. Teorias económicas à parte, pondo de lado agora as vantagens da circulação do dinheiro, parece-me que cada um o que quer é salvar-se a si próprio. Moralmente vamos encolhendo, e 'tarda nada, também fisicamente regressaremos à estatura baixa do tempo de Salazar.
 
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