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quarta-feira, 27 de março de 2013

A tesão é uma árvore

Segundo me consta, nada existe para além da matéria. O universo, em expansão ou em implosão, contém Tudo. E este Tudo abarca em si o Nada, o Vazio e até os não conceitos. Quando alguém, muito célere e mediador, pergunta e o que há para além dos limites do universo?, do ponto de vista físico é uma não questão porque ela é materialmente inconcebível. Na década de setenta - e fico-me por aí - explicaram-me estas coisas com uma analogia: imaginemo-nos a querer chegar às fronteiras do universo dentro de um balão que vai enchendo à velocidade da luz; quem conseguiria chegar à fina parede de borracha? Não desanimem, eu hoje dormi doze horas, doze, e a necessidade desta voltinha pelas galáxias foi só para vos dizer que até as saborosas torradas que acabei de comer contêm os termos desta questão: são hóstias para o desconhecido.
 
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domingo, 10 de março de 2013

Falta pouco, primavera


Vénus de Milos (granite)
 

Os músculos posturais,  os que nos mantêm em pé, direitos, espinha esticada e queixo levantado são os músculos profundos:  a nossa verticalidade é devida a este tipo de betão armado que envolve o esqueleto, caso contrário regressaríamos da aventura de gatas. E como a posição bípede demorou milhares de anos a ser conquistada, podemos inferir que o tempo esculpiu lentamente o nosso interior, o núcleo duro que olha o espaço. Gota a gota, erosão, plástica e músculo chegaremos às estrelas.
 
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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Unidade platónica

 
 
 
Os pés pensam? as mãos pensam? não digo pensar-pensar, mas pergunto se escolhem, se optam. Lembram-se do professor Noronha Feio? na década de oitenta ele dizia que escrever à mão era mais sensual (opunha-se à máquina de escrever). Já não devem restar muitas dúvidas às neurociências  sobre este corpo multifocal, com muitos cérebros e muitos corações. Os pés são uma excelente bomda hidráulica, a diferença é que depende da nossa vontade. E há ainda a chamada inteligência motora, que não tem nada que ver com as capacidades físicas. Percebe-se tudo lindamente quando vemos um jogador num emaranhado de gajas.
 
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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Comovia-me o suor

O futebol, o desporto, o trabalho, em suma: o corpo. Quando cheguei à Benedita, era presidente do conselho executivo um homem que não apanhava sol. Não era uma heliofobia qualquer, apresentava-se elegante, fluente, de olho e cabelos claros. Não cedia nem aos «benefícios da exposição moderada». De forma que ali andava um lider, um aristocrata, um homem culto, historiador e tudo, a libertar as toxinas da alma pela maldita pele.

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