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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Arte canária - pró acordo


Talvez o maior poeta vivo da língua portuguesa seja o Manoel de Barros. A saudade pode ser melancolia mas rã, pedaço de chão que salta, não tem equivalente noutras línguas. No Báltico não sei como diriam, cinzenta a terra que piso, porque nenhuma língua vive só de palavras e sem poesia, nenhuma. E o absolutismo da poesia coincide e morre com a realidade, é o cheiro, as chaves*, o calor, a cor, a respiração, o vento da anhara, a surucucu, o sangre raiano. Aceitam-se exercícios metafísicos e até comparações de significantes mas a poesia é o agnosticismo puro e total, como o chão de Manoel de Barros, o que pisamos ao fim  e ao cabo.
 * as chaves
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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Sensatez


Dantes. Pim!

A atualização da ortografia parece-me tão natural como é a natural evolução de uma língua. Se de vez em quando não se acordarem regras sobre a escrita tendo em conta as mudanças na oralidade (sobretudo), a geografia mundial do português e até a economia do mercado da escrita corremos o risco de cada um escrever à sua maneira e gosto. Mesmo com acordos vai ser muito dificil no futuro defender um português mínimamente coeso para lhe chamarmos língua universal. Talvez a internet a salve. Ou não. Pessoalmente embirro com o "K" nos vocábulos angolanos: Kuíto, Kuanza, Karalho... mas no fundo trata-se de uma simples afetação angolana, como são afectados os portugueses que são contra o acordo. E eu estava farto de não escrever contrarrelógio.
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