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sábado, 21 de janeiro de 2012

A morte como gadget



Ainda sobre a frase do falecido informático Steve Jobs,
A morte é a melhor invenção da vida.

I

...E dito desta forma a morte soa-nos a penico:
Como a solução prática, diária, útil,
Para a perpetuação da Vida.
Mas se o conceito reduz
A morte ontogénica a um mero sacrifício de peão,
Também é verdade que, correlacionalmente,
Passa a considerar a eternidade como uma mera probabilidade estatística.
Será que a morte de cada um, cumprindo assim a sua missão,
Dará para tanto fôlego?
Em todo o caso, e considerando a escala
Os séculos, os milénios e os milhões de anos
É caso para dizermos que o paradigma
Do desligar e voltar a ligar funcionou até ver.
E onde está a poesia no meio disto tudo?
Nos dramas pessoais?
Ou nas, cada vez mais, estrelinhas do céu que olham por nós?

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sábado, 14 de janeiro de 2012

Máquinas faladoras


O Jorge e a Milai em 74

A minha primeira máquina fotográfica comprei-a a um ladrão. Não vale a pena tecer grandes comentários à conivência e à recetação: na altura só uma coisinha muito leve na consciência, muito vaga, creio que até negociei, ou cinco ou a polícia. Levei-a do Algarve para Lisboa e de Lisboa para Angola. O estojo de couro camel muito grosso estava aparafusado à máquina por baixo. E tirava boas fotografias. Fez esta viagem a Nova Sintra, e enquanto o Fernando foi visitar o Samandjolo, fomos à estação do CFB fazer poses. Noutra ocasião e, curiosamente, noutra estação, coloquei a mochila e a máquina fotográfica por baixo da cabeça e adormeci num banco. Acordei ainda abraçado à viola, mas já sem a almofada. Fui à polícia, claro.
***