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segunda-feira, 22 de abril de 2013

A cancela iluminada


As hortas têm uma aparência miserável. As cercas são sempre toscas e às vezes há ferro velho espalhado. É raro mas já vi penicos em hortas. Anteontem, sábado, furei o pé esquerdo com um prego enferrujado. À noite killei as anaeróbias todas com água oxigenada mas depois lembrei-me de ver a validade da vacina contra o tétano e... azar, tenho mesmo que ir agora ao centro de saúde. Se eu sou alguém sou-o, literalmente, graças ao barro. Acabado de chegar do outro hemisfério com 18 anos tudo me parecia ao contrário, e tudo, neste caso, era o movimento da terra e dos astros; estávamos no Saldanha, em Lisboa, quando o meu irmão me perguntou para onde era o norte e eu apontei-o pelo caminho mais longo: pelo sul. Mas foi a última vez. Depressa me reprogramei, agora sinto com muita força o ferro magnético. Vim do barro, sou barro. E vou já às vacinas. Inté. Paulo Costa. P.S. Este post é dedicado à Terra.
 
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domingo, 15 de janeiro de 2012

Ainda o Jorge


Agora, com a morte do Jorge, dei conta que há realmente uma geografia afetiva. Não no sentido de os lugares serem estações da vida, paragens felizes ou infelizes, mas sim como pretendem os escritores, como uma realidade integrante do nosso corpo. Não vou ali. Vou desta maneira e por aquele caminho e por causa de ti, por exemplo. Evocar o passado é mais contar os nossos passos do que própriamente uma lembrança do postal. Dadas as pisadelas, os azimutes, o relevo, o pó, os lugares que integramos... camuflamo-nos muito bem nesse mapa do passado.
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