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terça-feira, 20 de maio de 2014

1975 - 1999

Passei vinte e quatro anos sem ver um mapa ou uma fotografia aérea da cidade angolana do Kuíto (ex-Silva Porto). Nem aérea nem terrena, foram anos de completa cegueira em relação às ruas e praças por onde vagueei nos meus primeiros dezoito anos de vida. Claro que uma inacessibilidade destas, ainda por cima provocada pelo trauma da descolonização, afeta-nos, não sei bem como, mas dá-me ideia que durante esses vinte e quatro anos andei às apalpadelas, ia ao pão como um sonâmbulo (nas veias e nos nervos trazemos as esquinas da infância, certo?). Em 1999, no dia deste jogo, trinta minutos antes de entrar no pavilhão multiusos, comprei um livro com uma vista magnífica da cidade portuguesa mais bem planeada, a minha terra. Com o crescimento e a melhoria da internet vi e saquei mais imagens. A longa noite clareou mas o que resta da infância também já não é nada pessoal: a saudade, a universalíssima saudade.
 
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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Memórias


Um hoquista fabuloso. Vivo perto da aldeia do hóquei, Turquel, e tenho alunos que praticam a modalidade desde os dois anos mas nenhum lhe chegaria aos calcanhares em virtuosismo.
 
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A cidade mártir


Cine-teatro e pavilhão desportivo

A cidade do Cuíto (não confundir com o Cuíto-Cuanavale), ficou conhecida como 'a cidade mártir' da guerra civil angolana. A violência das batalhas travadas na capital do Bié lembram as destruições, por metralha e bombardeamento, das cidades europeias no Século XX. Acredito mesmo que tenha sido a cidade mais devastada da Guerra Fria. No tempo colonial chamava-se Silva Porto em honra do seu fundador. Pela malha urbana e pelos seus equipamentos sociais, a cidade foi um modelo de planificação. Não me canso de dizer que, Silva Porto, apesar do seu fado português, mais parecia a cidade de uma possessão anglo-saxónica. 

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Visão

Bem me parecia...
















...elefantes brancos. 

J'ágora, na parte superior da 5ª, a contar da imagem inferior, com a forma de um "T" e de um "h" a acoutarem-se um ao outro, toda carbonizada, a chitaka "Casal da Serra".

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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

No chão, traçado a pau


Da internet retirei vários mapas, sobretudo de Angola e sobretudo do século dezanove, o século angolano: veem-se neles as irresolutas fronteiras da África Ocidental Portuguesa; foi um processo que requereu explorações geográficas, campanhas militares, investigação cientifica e coragem. No entanto, poucos portugueses conhecem esta epopeia heróica. O mapa lindíssimo que apresento é de um aviador, do Dr. Matos Coelho, meu professor de Matemática no liceu. Não cheguei a tirar o brevet, fiz dezoito anos em Junho de 75 e em Agosto "desapareci do mapa", mas ficou-me a paixão por azimutes e rumos e, hoje, apesar de não me recordar dos pormenores como se calculam, olho, os traçados à mão (linhas azuis), e imagino-me numa avioneta a segui-los à bússola: 307º (quadrante WN), aí vou eu Umpulo, Cambândua e, com um pouco de sorte, ainda aceno ao Casal da Serra, à direita, assinalado a amarelo, a chitaca da minha infância.
 
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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Referências eruditas ao post anterior

O 'corta-caminhos' é um passareco exibicionista, o seu nome verdadeiro é, se bem me lembro, 'catetele'. Possivelmente estou a ser injusto porque o exibicionismo tem uma componente sexual, ou as penas ou as danças ou o pio, qualquer coisa que chame a atenção das damas. Passarada. O catetele tem uma carne assim assim e devia desconfiar mais dos pedestres. Não sei qual a razão: sente alguém e... lá vai ele em passinhos rápidos mostrar-se. Pode ser que tenha aprendido com a guerra a usar as passadeiras.
 
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