terça-feira, 1 de outubro de 2013

A propósito da minha primeira «irmã»

Os dois mundos são-me estranhos porque mesmo vivendo num ainda tenho dentro de mim o outro. Sei que não quero morrer sem conciliá-los. Um dia terei que parar, procurar gente e, desculpem-me a palavra fantasiosa e coçada, amar. Nasci e vivi em Angola até aos dezoito anos, a minha formação, do caráter à acuidade visual, completou-se e orientou-se para aquele país. Dos dezoito aos cinquenta e seis vivo em Portugal, país que no inverno não consigo ver a partir das cinco da tarde. Não é grave. A história está recheada de mim, sempre houve fugas de milhões de refugiados e também, numa vida entre todas, o que é isso, um trauma? Os dois mundos são-me estranhos. E um dia intersetá-los-ei, como de costume a conjuntos matemáticos.
 
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