terça-feira, 15 de maio de 2012

O soldado conhecido

No dia dezasseis de maio de 1912, numa aldeia transmontana pobre, Vale de Lobo, nasceu o meu pai. Dos seus atuais 36 descendentes, comuns à minha mãe, já há os que nunca o viram. Os mais pequeninos, como o bébé do Nuno, nem o viram nem ouviram falar dele. No futuro, esta árvore genealógica terá dimensões tais que, quem a ela estiver ligado não conseguirá ver a totalidade das ramificações. E haverá com certeza galhos com folhas, sem folhas, enxertados, fortes e fracos, tal como no passado houve principes e escravos na «família». Hoje, no centenário dele, recordo-me do seu sentido espanto perante o universo, e nessa medida eram do mesmo tamanho.
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