terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Corantes



A noite no planalto, a noite limpa do planalto é tão noite que nada fica de fora do seu manto, nem as estrelas - que se veem como se tivessem saído à rua -, nem as vozes dos bichos - que nos contam segredos -. A noite no planalto angolano parece que tem um filtro mágico, um corante negro que faz sobressair o relevo das almas. Recordei-me  agora das noites angolanas por ver uns cães vadios na Benedita. Um dia, alguém me disse que a questão de deus é a falta de um órgão dos sentidos que fosse especial, que o cheirasse, por exemplo, e nesta ordem de ideias, as coisas seriam tão simples que deixaríamos de ser os cães vadios, ainda que farejadores, e passaríamos a ser parte do cenário de dentro para fora como nos sentimos nas noites angolanas.

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