sábado, 19 de julho de 2014

Ao fundo do túnel, o vale da Fonte Quente



Bancos

Assim como o suinicultor não pode ser abstraído da criação e abate de porcos, o homem da banca não pode ser alheado da usura. Cada um tem a sua especificidade, os que ensinam são professores, os que praticam a agiotagem legal são banqueiros. Não há cá casuísmos nestes vínculos objetivos de atividade, a sociedade aceita-os e pronto (a cada um caber-lhe-á mesmo, uma função nobre para o bem comum). A crise do sistema bancário (visto por um NMNM - que, Nunca Mandará Nesta Merda -), tem mais a ver com o triunfo neoliberal do que com comportamentos de banqueiros (também tem). O assassínio que o sistema está a fazer banco a banco - a seguir vão à CGD e só não vão aos alemães porque se escondem atrás do euro -, é uma prova da completa roda-livre em que entrou o mercado. Parecem-me bancos a mais para ser só incompetência e desonestidade. O esplendor neoliberal é vivermos como predadores, canibalizarmos o mais fraco. Depois, sob a capa de desideologizar, o capitalismo selvagem apresenta os reguladores «externos», toda uma nomenclatura própria que avaliza o cheque ao mais forte. Vou ao sapateiro pôr meias-solas e já volto.
 
***

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Vou a todas

Todos iguais
 
O boccia, ainda que associado aos "deficientes", tem caraterísticas técnicas que permitem a participação de qualquer pessoa. Infelizmente, quando há uma competição desta modalidade só se veem jogadores com graves limitações motoras. É pena, há mais entusiasmo quando jogado por equipas mistas (desportistas com e sem restrições de movimentos). E além da paixão que inspira quando jogado por todos, o nível de jogo sobe de forma evidente. Porque é que não é obrigatória a "inclusão"? O boccia é mais um gueto, outra leprosaria, um desporto onde se defende mal e se ataca "o problema" ainda pior.
 
***


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Summer

Todos os dias reparo no ar e no chão, é uma espécie de roço pelo dia. Fora isso, acho que a vida não faz sentido. Em Angola, chegado à adolescência deixei os calções, os joelhos tinham-se afastado demasiado da terra. A verdade porém, no fundo, não era essa.  No planalto, não havia calor suficiente nem para crianças hiperativas, o que predominava era o preconceito de que em África fazia calor, e pronto. Entrado na meia-idade voltei às captulas (calções, em umbundo), olho para o céu, piso bem a terra, tento acertar com o mijo numa borboleta, e os dias fazem logo outro sentido. Só lamento é a constipação.
 
***

terça-feira, 15 de julho de 2014

Entre-guerras


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Morrer ou sobreviver

Quando ensinamos futebol a crianças, a crianças pequenas, dizemos-lhes que só mesmo as crianças muito pequeninas é que jogam todos a monte, "para onde vai a bola vão todos, ela vai para um lado e lá vão eles, a bola vai para outro e... todos correm atrás dela, e depois, quem tem a bola dá um chuto para onde está virado". Riem-se, as crianças pequenas gozam as crianças muito pequeninas por não saberem jogar futebol. A Alemanha foi, pelo que eu pude observar, a equipa que esteve mais longe das crianças muito pequeninas. Mas o que me deixa desconfortável no crescimento alemão não é a maturidade individual de cada um dos seus jogadores, mas o estádio de entreajuda coletivo para a presa cometer erros. Cresçam ou fiquem em casa como eu.
 
***

domingo, 13 de julho de 2014

Abertura

Ler, para lá dos outros
Os exemplos de que a destreza (skill) da leitura não é adquirida independentemente do que se lê, são inúmeros no dia-a-dia do professor que ensina as “primeiras letras”. Desde as teorias de alfabetização de Paulo Freire até às descobertas das neurociências, passando pelo «eu» que a modernidade tão bem soube valorizar, que se reconhece à leitura uma dimensão sensível e pessoal.
 
Ler, para lá de mim
Não custa generalizar que “os livros”, mesmo do ponto de vista educativo, são um problema de tal modo profundo que se enraíza na sociedade. E se variáveis como o vocabulário, os hábitos de leitura e o nível cultural familiar tornam o português muito dependente da comunidade falante, a verdade é que a escola deve tomar medidas políticas de leitura que esbatam as diferenças geradas pela origem sociocultural dos alunos.
 
***