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quarta-feira, 28 de maio de 2014
Entre nós
terça-feira, 27 de maio de 2014
Só para dar qualidade às coisas
Os que viveram em Portugal e em Angola reconhecem que o espaço angolano, físico e mental, tem outra dimensão. Um dos episódios da minha adolescência que me sulcou a memória com poderoso arado relaciona-se, precisamente, com um jogo de pistas de vários quilómetros, vivido no vasto planalto angolano. Mapa, bússola e azimutes e aí fui eu savana fora. Chamem-lhe ligação à natureza, goste-se ou não, era pássaro a bater asas. Terá sido pois a evasão angolana em mim que me encontrou geocacher nesta friorenta Europa. Um lenhador generoso ofereceu-me o cepo da fotografia; serrei-lhe uma tampa com 10 cm, escavei-o a escopro e martelo para esconder aí a caixa do tesouro e, no fim, enfiei um pau de vassoura a servir de eixo para a tampa rodar. O resultado é este esconderijo. Mesmo não pretendendo praticar o jogo, cá cheguei. Chamo-me Zénite Mobile.
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segunda-feira, 26 de maio de 2014
Xeque ao rei
As "europeias" deram xeque-mate ao líder da direita, o presidente da república. Podemos discordar na análise do mano-a-mano entre o PS e a Confederação do mal e termos opiniões diferentes na comparação com as "europeias" de 2009, por exemplo. Mas além dos números há também conclusões políticas. De substância, como dizem os legistas. E neste tabuleiro naturalmente político, além da derrota histórica, assumida, dos neoliberais, há claramente uma vitória revolucionária das ideias opostas à austeridade pura. É no somatório dos votos de esquerda que Cavaco Silva é agazulado*: ou convoca "legislativas" para breve ou "governa" antidemocraticamente. Mais, ...nada.
*Agarrado pelo pelos colarinhos (Trás-os-Montes)
*Agarrado pelo pelos colarinhos (Trás-os-Montes)
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sábado, 24 de maio de 2014
Piketty, Oblak e Zizek
Reais, só pelas costas.
Do ponto de vista desportivo não podia ter corrido pior: o Real aumenta a distância em relação ao Benfica, e pior, o clube com a equipa idealizada pelo Mourinho (agora com o namorado da Sara Carbonero na baliza), pode muito bem dar-lhe um insight, ou outra merda qualquer, e vir ao Oblak. Continua a dominar o balneário, és a nossa esperança, Sara.
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terça-feira, 20 de maio de 2014
1975 - 1999
Passei vinte e quatro anos sem ver um mapa ou uma fotografia aérea da cidade angolana do Kuíto (ex-Silva Porto). Nem aérea nem terrena, foram anos de completa cegueira em relação às ruas e praças por onde vagueei nos meus primeiros dezoito anos de vida. Claro que uma inacessibilidade destas, ainda por cima provocada pelo trauma da descolonização, afeta-nos, não sei bem como, mas dá-me ideia que durante esses vinte e quatro anos andei às apalpadelas, ia ao pão como um sonâmbulo (nas veias e nos nervos trazemos as esquinas da infância, certo?). Em 1999, no dia deste jogo, trinta minutos antes de entrar no pavilhão multiusos, comprei um livro com uma vista magnífica da cidade portuguesa mais bem planeada, a minha terra. Com o crescimento e a melhoria da internet vi e saquei mais imagens. A longa noite clareou mas o que resta da infância também já não é nada pessoal: a saudade, a universalíssima saudade.
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segunda-feira, 19 de maio de 2014
domingo, 18 de maio de 2014
Particularly
"It doesn't come out particularly well, but that's a particularly tall bicycle".
A época fica marcada pela recuperação da mística benfiquista. O herói, como não podia deixar de ser, e não podia deixar de ser porque é dele que emana o benfiquismo: o povo. Um herói visível nos estádios, no país e na emigração; o povão é o ADN do clube. Só assim se explica, por exemplo, o facto, também visível, do clube ter sobrevivido a vinte anos de atentados. Posto isto a limpo vamos às individualidades, aos deuses de serviço: Vieira, Jesus e Luisão. O capitão será porventura o único jogador do Benfica que eu indicaria para uma seleção planetária. E com o seu companheiro do lado, Garay, o Benfica terá porventura a melhor dupla de centrais da Europa. A partir daqui é sempre a descer.
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sábado, 17 de maio de 2014
quinta-feira, 15 de maio de 2014
quarta-feira, 14 de maio de 2014
O verdadeiro Enzo
Como qualquer benfiquista estou bastante frustrado com a derrota de hoje mas o que verdadeiramente conta é o projeto do clube e esse inclui muitas finais para se ganharem. Os dribles infantis do André Gomes têm o mesmo grau de culpa que o cansaço do Gaitán e da aselhice, ou lá o que é, do Cardoso; Jesus tem tantas culpas com a má ordem da lista dos marcadores dos penáltis como têm os adeptos com o seu triunfalismo bacoco que só serviu para «má» pressão junto dos jogadores. Eu chamo-lhes erros de ressaca. Estou que nem posso com a azia, consigo vislumbrar falhas no jogo segundo a segundo, erros individuais, decisões pouco esclarecidas do Jesus, etc.. A frustração dá-nos lupas, binóculos, microscópios... para os erros do jogo, incluindo os da arbitragem. Há no entanto um sentimento frustrante que vai perdurar durante algum tempo, um erro que pode ser prevenido e é estratégico. Um erro que não se pode atribuir a gente séria. Um erro que dá razão aos Pintos da Costa. O Benfica tem que melhorar nitidamente o jogo noutros tabuleiros, fazer «boa» pressão junto da UEFA. Dois exemplos: a Juventus, com a cotovelada do Enzo no jogo da Luz, conseguiu que o árbitro de Turim estivesse particularmente atento ao jogador ao ponto de lhe mostrar um amarelo injustíssimo; e sabem quantas cotoveladas deram os italianos? Contem-nas. Se o Benfica solicitasse àquele «tribunal supremo» uma fiscalização preventiva às macacadas do Beto, que se previa decisivo, talvez chegasse para ganharmos o jogo de ontem.
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terça-feira, 13 de maio de 2014
Europa, Europa
O apelo à abstenção por forma a "castigar" os políticos, tem sido particularmente disseminado nesta campanha eleitoral. Hoje, um participante radialista apelou nesse sentido e a seguir, dois meus amigos, revoltados e desiludidos, um de direita e outro de extrema esquerda, perguntaram-me se eu ainda ia votar. A conversa de café não sei se foi suficiente para os convencer, mas a Europa merece mais; mais do que as discussões em torno do federalismo, dos nacionalismos e da crise financeira, porque votar relacionando política com questões sociais, por muito complexas que sejam, até os americanos o fazem. Bastavam pois, estas razoes para os meus amigos votarem, uns pela austeridade, outros, contra a austeridade. Agora, perdoem-me ir mais além: a Europa deu-nos consciência histórica, uma consciência histórica da própria História como "vasta e unitária correlação humana, no tempo e no espaço, em que a humanidade é vista no tempo"*. Esta ideia do homem temporal ultrapassa a "fotografia" das correlações na conjuntura e acredita, genialmente, numa saída integrada. Entre lavadas e íntegras escolho as segundas.
* Jorge de Sena.
* Jorge de Sena.
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segunda-feira, 12 de maio de 2014
Voyeur
Não devo ser o único que faz desenhos para não endoidecer, mas tudo começou por ser uma simples atividade tapa-poros (poro=interstício da vida). As reuniões ou formações de trabalho, por exemplo, eram perpassadas a pés, bocas e caretas; só mais tarde comecei a desenhar em blocos, não sei precisar quando mas creio que antes do boom dos sketchers. Tenho dezenas de blocos, uns só a caneta (uni-ball, 1,40 € na papelaria da escola), outros temáticos, outros ainda em tons de cinza (conjuntos de canetas Faber-castell), e até tenho desenhos com graxa de sapatos. Os mais comuns, no entanto deverão ser os de café. Curiosamente (ou não: revela uma falha autodidata), não uso muito as aguarelas, técnica modal dos desenhadores urbanos. Recentemente utilizo o Gimp, uma ferramenta pobre para abonecar o desenho e colocar na interneta. É o caso de hoje: o traseiro da Benedita, visto do Casal da Marinha.
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sábado, 10 de maio de 2014
Kavafis & Sophia
Isto de ir a banhos é uma coisa,
Outra, são as viagens pelo mar.
Quem embarca não cai neste abismo
De sol
Não se afunda numa lambreta
Como eu de toalha ao ombro.
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sexta-feira, 9 de maio de 2014
Lares Vialis
Com o pretexto de tomar café parei na coletividade em frente deste cruzeiro que já me tinha chamado a atenção doutras vezes. O Casal da Marinha é uma crista com dois vales fundos de cada lado, um a norte e outro a sul. A única rua da povoação nunca pediria um "quatro estradas" destes (os cruzeiros eram colocados nas encruzilhadas). Depois de algumas especulações sobre a idade fui observar se havia vestígios de cinzel, nada; e curioso: é constituído por três partes separadas, quem o construiu pensou na transportabilidade. Antes dos cristãos, já os pagãos protegiam os caminheiros: foram séculos, milénios a andar a pé, em carro de bois, a burro ou a cavalo por trilhos perigosos. Pegando na fita que tudo relativiza, este marco teve "utilidade" durante mais tempo do que terão as autoestradas recentemente construídas. No bar, onde encontrei amigos, falaram do cruzeiro com entusiasmo. E não poderia ser de outra forma, um "dinossauro" destes representa séculos de pegadas.
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Andam na minha mala textos curtos sobre a América do arguto Sena
Salinas de Rio Maior, Maio de 2014
Se a "saída limpa", o propalado slogan triunfalista, fosse o resultado de sacrifícios justos do ponto vista social, até haveria mérito do governo de direita. Churchill, por exemplo, apelou às secreções orgânicas do povo mas tinha também uma credibilidade física (prisioneiro, saltou de um comboio em andamento, em Moçambique). Não é boutade. A porta de "saída", a única, a mais justa, a que mais diz respeito a mim e a ti, incluiria sempre "sangue" dos mais ricos e poderosos; reforme-se o aparelho de estado, a economia, o que se quiser, mas a ideia de uma sociedade "para todos", que até é constitucional, incluiria um chega para lá à oligarquia financeira, já que eles nem de um banquinho saltaram.
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terça-feira, 6 de maio de 2014
Boas contas, soletrar e rascunhar; e a seguir mestrados.
A educação como engenheira
A melhor forma de matar uma área disciplinar no 1º ciclo é dar-lhe um estatuto curricular. No ciclo inicial da escolaridade só a matemática e o português sobrevivem. O mundo "até à quarta classe" é muito complexo. A resistência, perdoem-me a simplificação, é de natureza cultural: a aritmética e a redação são ainda a suprema ambição daquela escola «toda». Eu fui durante alguns anos coadjuvante de educação física. A iniciativa tinha como grande objetivo autonomizar os docentes numa disciplina que eles diziam exigir conhecimentos e técnicas de segurança muito específicos. Mas, entre outras impopularidades como o suor, a prática regular do exercício físico roubava tempo semanal às duas magnas disciplinas. Ou seja, gastou-se dinheiro e pouco mudou nos hábitos e práticas docentes. O inglês curricular no 1º ciclo corre este risco. A melhor solução para a segunda língua não é esta que o governo quer implementar. Voltando à "expressão e educação físico-motora", é assim que se chama a "ginástica", devo dizer que o trabalho que os moços e moças estão a fazer no âmbito das AECs tem sido extraordinário. O dinheiro que se irá gastar em novas formações académicas se fosse aplicado nestes jovens seria bem melhor do ponto de vista profissional e social. Até porque, parece que a necessidade de curricular o inglês no 1º ciclo coincide com outra vontade, o interesse da academia em promover uns mestrados. Não ouviram?!
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domingo, 4 de maio de 2014
Domingo à tarde em S. Martinho
"Sou o maior performer e, simultaneamente, o maior interior que conheço ".
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quinta-feira, 1 de maio de 2014
'Vitória' a pau-ferro
Houve mérito defensivo do Benfica mas faz falta o primeiro passe do Matic para dar outra iniciativa aos ataques, a ignição foi bem anulada pela Juventus. Quem tem saído bem com a bola da defesa é o Siqueira, no entanto ele só fica com a linha de passe de dentro, não chega, o papel deve competir a outro número. Ainda pensei que Markovic fizesse mais arrancadas pelo corredor central, do ponto de vista técnico já se viu que ele é competente a fazer ligações, o problema do jogador é não ter metros nem minutos. A nós, só nos faltam três anos para o vermos mais maduro. De resto, o que dizer sem ser piadético? ...Putos, internacionalizem-se.
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terça-feira, 29 de abril de 2014
Moral do pequeno quadro
Depois do jantar, Ayamonte ilumina-se
Não há melhor que o pronome espanhol nosotros para definir a distância que separa duas pessoas: nenhuma. Nós, os outros. Entre gente (outra boa palavra que resume a condição humana) um afastamento seria sempre visto como miserável.
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segunda-feira, 28 de abril de 2014
Atestar
Dou-me à terra como ninguém, em privado, na esperança de no futuro ser bem servido, ser confortavelmente aconchegado. Mas a terra também devolve a curto prazo. Já me tinham dito que as favas são as hortenses mais competitivas, são rápidas e exigem pouco trabalho: basta uma sachadela e aí estão elas contadas. Tenho andado num steady state bacano, momento que eu considero muito agrícola, mas que me torna ambiciosamente inferior. Temos de viver com o que queremos e eu quero é terra. Ilustro o post com umas bombas de gasolina, na certeza que compreenderão a metáfora. Pleno de vida, despeço-me. Até já. Até já, morte.
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