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terça-feira, 20 de maio de 2014

1975 - 1999

Passei vinte e quatro anos sem ver um mapa ou uma fotografia aérea da cidade angolana do Kuíto (ex-Silva Porto). Nem aérea nem terrena, foram anos de completa cegueira em relação às ruas e praças por onde vagueei nos meus primeiros dezoito anos de vida. Claro que uma inacessibilidade destas, ainda por cima provocada pelo trauma da descolonização, afeta-nos, não sei bem como, mas dá-me ideia que durante esses vinte e quatro anos andei às apalpadelas, ia ao pão como um sonâmbulo (nas veias e nos nervos trazemos as esquinas da infância, certo?). Em 1999, no dia deste jogo, trinta minutos antes de entrar no pavilhão multiusos, comprei um livro com uma vista magnífica da cidade portuguesa mais bem planeada, a minha terra. Com o crescimento e a melhoria da internet vi e saquei mais imagens. A longa noite clareou mas o que resta da infância também já não é nada pessoal: a saudade, a universalíssima saudade.
 
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terça-feira, 18 de março de 2014

Guerra civil só com todos

Somos quantos, quinze milhões? Não tarda nada temos metade da população no estrangeiro. Não deve haver outro povo sem teto como nós. Nesta medida compreendo os judeus, se bem que a fundação de um país com base numa religião me pareça um pouco medieval. Para refundarmos este "ocidente" onde coubessem quinze ou vinte milhões de pessoas seriam precisos alguns movimentos sísmicos. A velha tese de que os emigrantes são os que querem mais e melhor, e os que ficam são os que se acomodam, não ajuda a explicar os 48 anos de ditadura e a passividade atual, mas, também é verdade que esta falta de ativos piora a situação. A verdadeira ajuda externa seria um vulcão expelir os portugueses para Portugal.
 
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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Le petit rectangle


A condição poética de «sacada para o Atlântico» permitiu ver ao sonhador Henrique a Índia pelo mar, mas a forma geométrica em si, um retângulo e não uma estrela ou uma meia-lua, revela-nos um país simples e prático, talhado por Afonso Henriques e demais fundadores do território nacional. A ideia que fica, vendo o mapa, é que bastou um marco, o do nordeste, para fazer o lote. A partir dele, um cordel para sul e outro para oeste e pronto: Portugal com quatro cantos retos. O de Sagres, que serviu de mocho ao conde D. Henrique, já muito se escreveu, quanto ao pontão de Vila Real de Santo António direi eu um dia umas palavrinhas laudatórias.

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sábado, 27 de outubro de 2012

Rocinante


 W polo
 
"A name, to his thinking, lofty, sonorous, and significant of his condition as a hack before he became what he now was, the first and foremost of all the hacks in the world"
 
Por vezes penso que sou uma «ideia»: um habitante de um sem-país ou de um país abstrato. Chamemos-lhe «Portugal» para ter um nome. Portugal entre aspas. Este país ideal é então, aquilo que se ouve amiúde: o Portugal concreto sem a atual elite; mas somado a outro arroubamento de espírito que eu por vezes tenho: o Portugal concreto sem o atual povo. Esta interseção «cheia», entre dois conjuntos vazios, faz de mim um «português», uma «ideia».

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O simpático tracinho de união foi ao ar, não há cheque, não há dentista. A taxa de implementação nacional foi no ano anterior à volta dos 56% e no concelho de Alcobaça 78%. As escolas colaboravam. As escolas são cada vez mais para memorizar a tabuada. Sobredentes, com ou sem tracinho: há alunos que fazem três refeições por dia na escola, como não se troca a tabuada por nada que cheire a «eduquês» ou a socialismo, o kit para a escovagem dos dentes deve estar também em risco.
 
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