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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Bom português, cucu

Quando um autor nos chega por portas e travessas, da amizade ou do amor, instintivamente colocamos algumas defesas ao escritor "penetra". Nenhuma obra que entre em nossa casa por essa via é, de imediato, valorizada pela sua qualidade literária. Mas, acabei de ler algumas coisas de Félix Cucurull, escritas num português irrepreensível, e resolvi comprar o que há dele na nossa língua, incluindo este livro. Faz hoje anos que faleceu e pelo que sabemos da sua biografia foi um amigo de Portugal, membro da Academia de Ciências de Lisboa e até, sócio do Benfica. Agora sim, catalana, além da amizade e do amor.
 
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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Pequeno círculo de escritores (V)

 
 
Dizem, que foi na lacónica mas sugestiva referência que João de Barros fez na «terceira década da Ásia» (1563) a Marco Polo e ao "livro que escreveu da sua peregrinação", que Fernão Mendes Pinto se inspirou para o título das suas aventuras. Pouco importa se foi esta a inspiração, eu lembrei-me que de comum entre os dois havia de facto arroz e caril, mas chamar peregrinação, vadiagem ou andarilhada ao que fizeram é uma discussão quase académica. Quase, porque António Rosa Mendes lembra-nos o conceito religioso de «jornada», de peregrino «desta vida», e aí eu rendo-me, não tanto pelas santas agruras que os dois aventureiros padeceram mas, pela sensibilidade e riqueza da associação  entre o sofrimento pelo qual passou e a lógica andarilha. ARM - bio.
 
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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Pequeno círculo de escritores (IV)

 
Cada um olha para onde quer e pode. 
 
Passados trinta e oito anos da ponte aérea que ligou Angola a Portugal, muitos dos seus passageiros já morreram, outros emigraram para o novo mundo, alguns para a Europa, os mais inadaptados voltaram para África, e os restantes, a maioria, ficou em Portugal. Trata-se de um grupo com muitos destinos mas cuja origem permitiria tecer algumas considerações identitárias. No entanto, as poucas páginas dedicadas aos retornados, falam da «confusão» que trouxeram às ruas e à vida de Lisboa nos anos setenta. O livro é a sequela deste, e se não conseguir dar uma ideia do frenesim de cores, da animação, do linguajar, da atividade política, etc., que os retornados imprimiram com a sua chegada à capital, e antes da diáspora referida, o defeito estará por certo nos testemunhos prestados pela minha família.
 
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domingo, 20 de outubro de 2013

Pequeno círculo de escritores (III)

 
Obrigado, mãe África - influências africanas na cultura brasileira
 
Após a chegada a Portugal e durante cerca de trinta anos, Angola foi um país tão distante, tão distante para os retornados que as lavras minadas, as cidades destruídas por morteiradas e os cães que comiam cadáveres nas ruas, não chegaram para a reaproximar. Havia «Angola» nos "encontros" mas era cada vez mais, evocada por menos gente. O mapa da minha cidade, de ruas sem sinuosidades para se fixarem na memória, acabou então por perder toda a gente. O período terminou com o advento da internet e com o fim da guerra civil angolana e, lembro-me, num mail que mandei à autora do livro, há uns anos, de lhe chamar o nosso "longo inverno". A recuperação da memória com significado faz-nos mais inteiros. Deve ser disso que tratam os livros da Dulce.

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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Pequeno círculo de escritores (II)


Qualquer que seja a ideia que se faça de Mandela, e haverá das mais fantasiosas às mais realistas, há uma quase unânime: de toda a África foi o líder que melhor percebeu o «pós-regime de brancos». E aqui, as opiniões voltam a dividir-se: uns chamar-lhe-ão "justo" por isso, e outros, um inteligente "estratego". Tenho curiosidade em ler o livro do Tó Mateus "MANDELA: O REBELDE EXEMPLAR", obra que será lançada no auditório nobre do Colégio Militar a partir das 18h30 de 13 de Novembro (quarta-feira), só para me ajudar a perceber por que motivo o velho madiba não correu com os brancos depois do apartheid como fez a maioria dos líderes africanos depois da independência.
 
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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Pequeno círculo de escritores (I)


Quando o Pedro entrou para a carreira diplomática recordo-me do pai dele, que é meu irmão, afirmar com orgulho: "e sem cunhas!". De facto o puto foi aluno de "vintes" (já o seu pai era assim) de forma que a entrada para a exigente vida diplomática obedeceu a critérios rigorosos de nota. Este apontamento pessoal não garante que o Pedro seja um excelente escritor mas pelo menos coloca-nos perante um autor que, do ponto de vista da academia, foi um modelo. Assinou como A. Aires no primeiro livro que escreveu ("No rasto de um cometa" da "papiro editora") inspirado, diz quem leu, no seu avô (e meu pai). Em 25 julho deste ano lançou "No outro lado ou viagem ao país dos sonhos" da editora "esfera do caos". E como  o "sol nascente" não quer ficar atrás dos feiceboquianos da família que têm postado a novidade, aqui fica o devido destaque à obra. Podem apreciar o seu resumo na página da editora e adquiri-la em certas livrarias.
 
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