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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Arte milenar


 
Morei ali, atrás daqueles prédios. Se me recordo de alguma coisa desses tempos é das vindas à Gulbenkian namorar. Mas também me lembro bem da sala pequena onde cabiam todos os retornados do «hotel»: à noite, uma mole de gente sentava-se no chão a assistir à «Gabriela». Foi fixe, a Gulbenkian tinha as suas luxuosas latrinas arménias, mas a Pensão Zuari tinha aquela sala. Foram tempos de baloiço, ia e vinha. No meio, nada, só algumas personagens já difusas pelo tempo: a «boa», o «velho», o «dono»; nem da «boazona», a namorada, ficou o nome, e até a Zuari mudou de rua. A Gulbenkian, sim, mantém as casas de banho iguais. A vossa Gulbenkian. A «nossa», a «nossa».
 
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terça-feira, 17 de julho de 2012

«EU»


Mais próximo da realidade. Desenho com café.

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sábado, 14 de julho de 2012

Também cortejei publicamente

 
"A poesia saíu à rua" vista por dentro



Para além das semelhanças físicas entre uma manifestação e uma procissão, a consanguinidade revela-se também no caráter. Dirão que é antropologia barata, cultura pagã, etc., mas comparem a entoação das palavras de ordem com as orações, as faixas com os andores, o locutor do carro de apoio com o padre, e o objetivo das duas caminhadas: a salvação. É caso para dizer, no Calvário ou em S. Bento, salvemo-nos.

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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Cais das colunas


Aos pares

A sanha da exclusão está ao rubro. Só nos apercebemos que o discurso é corporativo porque junta gente de todo o lado. Há «bons» nos sanhosos, há «competentes» e até há «amigos». Comum a todos, o nosso poder social de deixar passar só alguns. Crato atiçou, não totalmente consciente penso eu, o que há de mais vulgar em nós: como na casa dos segredos, alguém vai ter que sair. A lógica já não é a do «passam todos», mas a de «sacrificar sempre alguém». E quem? Os filhos dos professores, por exemplo, ou os filhos dos que não conhecem os códigos da escola? Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte... não é rigoroso nem exigente.
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domingo, 10 de junho de 2012

Lisboa versus Almada

Sábado fui a Lisboa à praça do comércio, à inauguração de uma esplanada (lado nascente). A praça em si está melhor do que nas décadas passadas. Numa ocasião, há mais de trinta anos, agarrei um miúdo com treze, catorze anos, a roubar uma máquina fotográfica. Ainda levei ums pontapés mas lá consegui arrastá-lo até uma esquadra. A praça do comércio poderia ser isto, largo de pequenos ladrões e grandes polícias, mas também o melhor sítio para se beber uma cerveja. Pelo beira-rio não merece, mas pelos que se faziam ao mar poderia muito bem tornar-se na esplanada de todos os sedentos de mundo.

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