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domingo, 30 de março de 2014

"Regresso de Tomblstone ao futuro"

 
O tempo hoje
 
Pratico o enciclopedismo, mesmo sabendo que também sobrecarrego a memória com utilidades a prazo. Consigo, por exemplo, situar todos os estados americanos. Mas o que eu acho interessante neste caso é que  me familiarizei com muitos deles através do cinema. Acabei de ver o Wyatt Earp (1994), e nos diálogos foram referidos pelo menos o Arizona, a Georgia, o Texas, o Kansas, a Califórnia e o Alasca. O filme sugere nesse pano de fundo, a separar os estados, um meridiano fronteiriço que avança para oeste levando a lei. Basicamente, a história comum aos westerns, a metafórica fronteira onde todos os homens e mulheres padecem da dualidade entre o bem e o mal. Mas, curiosamente, para os Earp, a Califórnia funcionou como "regresso" ao conforto da civilização. Ora, à Além-Arizona não se regressa, vai-se. 
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domingo, 22 de dezembro de 2013

Natal em cinemascope, drive in, eastmancolor, etc.


Já no sábado vésperas do último carnaval, a caminho do Algarve, observei o mesmo excesso de rastos de aviões. Ontem, sábado anterior ao natal que se avizinha, peguei na máquina e registei o fenómeno. Há muitos pontos comuns entre as duas quadras, antropologias à parte, mas esta de conhecermos o destino de uns e outros festeiros pelo céu, não lembra ao diabo. No carnaval, a maioria das "pegadas" dirigia-se pró su-sudoeste, basicamente da Europa para a Madeira e Rio de Janeiro (Faro e Lisboa, também, claro). Agora, como podemos observar, as linhas de fumo cruzam-se em todas as direções. Tirem as vossas conclusões, mas reparem que o que o que está escrito no céu não é que "é natal quando quisermos" mas sim "onde quisermos". Estejam onde estiverem, bom natal e até ao meu regresso.
 
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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Viagem a Tóquio para subir ao Narayama

O que fez regressar Kobayashi ao Japão? Morrer. A propósito, a minha grande estranheza de vida foi o pedido do meu pai para ser enterrado na aldeia. Fugiu dela toda a vida, e se foi para longe!, os filhos e netos viviam à data em Lisboa, e ele no leito da morte: «quero ir para Vale de Lobo». Todos os cemitérios seriam «de Benfica», valas comuns para o meu pai. Todos menos o da sua aldeia transmontana. Portugal deve muito a Kobayashi. Não só pela qualidade que o judo tem no nosso país, mas também porque a partir de Kobayashi consegue-se fazer a linhagem da modalidade. Bastos Nunes e Luís Monteiro são dois exemplos. É que, muitos desportos em Portugal são filhos de pai incógnito.  E mais haveria para dizer sobre «Tóquio», a nossa vida que não nos permite cuidar dos fundadores, etc., mas só para rematar (e para não estranharem como eu estranhei): certas opções da velhice reconciliam a inexorável capitulação dos ramos da cerejeira com o peso da neve.
 
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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Junto à linha d'água



O argumento do filme «Gaiola dourada» baseia-se em estereótipos que fazemos sobre Portugal e os portugueses, uma fundação cuja caricatura à partida, poderia dar numa excelente comédia. Do ponto de vista técnico, desde a narrativa até ao desempenho de Joaquim de Almeida, passando pelo «ambiente», o filme merece o êxito que está a conseguir, mas do ponto de vista do argumento como reflexão que, note-se, todos os grandes filmes possuem, da objeção que os redutores estereótipos merecem, Nada. Assim, a popularidade do filme é preocupante porque é um sintoma dos «bons alunos» que sois. Vi o filme no Sábado passado e Domingo na praia, com a leitura semanal reposta, recordei-me do caráter doce e místico dos portugueses: «solzinho de Deus».

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terça-feira, 23 de julho de 2013

«Dizem-se» uns aos outros




Fellini disse a Bergman que os melhores filmes eram as gravações diárias e não o seu produto, pensado e acabado com o propósito «público». Bergman visitou Altman na Califórnia e retransmitiu a conclusão do genial Fellini. O material diário, as repetições, os improvisos, etc., seriam pérolas ou, se não, partes aproveitáveis do porco. Altman confrontou Fellini para aprofundar o tema, possivelmente a pensar nuns restos que tinha lá em casa mas o italiano respondeu-lhe que o que tinha dito ao sueco, não passava de um chiste. Estas merdas levaram Altman a sorrir amarelamente e a reconhecer que Fellini não se levava a sério.
 
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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Concreção

 
 
«Fellini possui a capacidade de concreção que é a primeira qualidade dum poeta» - Ítalo Calvino, na introdução a este pequeno livrinho «Federico Fellini, a doce visão». Felini era um nougat.
 
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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Ressuscitei

 
Bom dia. Venho dar uma voltinha. A oeste, onde o sol se põe, há um paredão de nuvens. Não sei ler sinais da atmosfera, só quando chove sei que chove, nem creio que alguém saiba, muito menos através dos ossos. Na paragem do autocarro, uma sábia vendo as nuvens, disse: daquele lado é o mar. Todos nós acreditámos mas permanecemos mudos e quietos à espera do transporte da carris.
 
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Antígonas. Em pelo menos dois posts referi-me a este mito clássico: um, integrado no caderno "Londres 1984" e o outro, para comentar uma obra de Freud que relacionava psicanálise e humor. Por causa deste último post - onde fiz alusão à forma jocosa e ambígua como os jornais alemães titularam o que seria a primeira representação da Antígona em Berlim (teria pouca antiguidade), - lembrei-me da versão de Brecht que a localizou precisamente nesta cidade: Polinices é um adolescente que desertou do exército alemão, tendo sido posteriormente torturado e executado pelos SS e, claro, para cumprir o mito, o seu corpo ficou insepulto. Noutro post mais recente sobre mitos e cinema - ...mas a teoria literária é que gosta muito disto, vejam os famosos cânones ocidentais cheios destas relações, e a ideia comum de que tudo o que se escreve já foi escrito na Grécia antiga -, não me referi à Antígona, recordo agora um bom filme, "a noite da iguana", cuja personagem interpretada por Deborah Kerr é baseada no mesmo mito.
 
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domingo, 14 de outubro de 2012

Mais levantamentos quando estiver pressionado


Medea, com Maria Callas
 
O cinema inspira-se muito nos relatos mitológicos, certo? Não explica o mundo, mas mostra-o.

Édipo: uma das três curtas de "Histórias de Nova Yorque" - WAllen - 1989;
Ganimedes: "Morte em Veneza" - Visconti - 1971;
Eletra:" Chinatown" - Polanski - 1974;
Fedra: "O graduado" - Mike Nichols - 1967;
Hera: "Viver por viver" - Claude Lelouch - 1967;
Medea: "Medea" - PPPasolini - 1969 (agora).
 
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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Os conselheiros culturais



Para o meu pai foram os franceses que inventaram o motor de combustão, os pneus, etc., o automóvel. Na senda francófila, reparo que o jazz, Clint Eastwood e até Hitchcock tornaram-se  «franceses» porque só conseguiram reconhecimento nos seus próprios países depois do agrément francês. No caso de Josephine Baker com o saiote de bananas até eu lhe reconheceria a silhueta, mas, por exemplo, e Hitchcock? Água mansa à superfície...

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domingo, 17 de junho de 2012

Distorções

Numa deslocação longa de câmara, quando filmava «um roubo no hipódromo» (1956), Kubrick colocou uma lente de 25 mm e aproximou-a dos atores. O resultado foi uma distorção bem visível nas imagens, mas como estávamos em Hollywood o sistema impusera-lhe um fotógrafo, Ballard. Este retirou a lente, colocou uma de 50 mm e afastou a câmara. E assim resolveu a distorção. O que li, dá-nos a entender que Kubrick, na altura com 27 anos, obrigou o veterano Ballard a filmar com a de 25 mm para impôr a sua vontade ao sindicato, mas eu prefiro pensar que a questão era mesmo poética.

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