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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Poemas

segunda-feira, 26 de março de 2012

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Enquanto não realizo o "Nª Srª da Av. da República"


Fundo do oceano, nanos...

O "caderno sujo", como chamei ao primeiro bloco de desenhos sujos pela graxa, e que me sugestionou a escrever textos também ensopados, continuou a sua vida saltando de capa em capa. Os cadernos sujos são, então, vários, mas um. Ou, serão vários se tiver paciência para acabá-los redondo como uma bola, como são todos os mundos sujeitos à gravidade, à rotação, à translação e à confusão. Não me parece, dona gravidade.
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O livro de prova


Várias peles, várias mudas

Um homem da serra algarvia recusava-se a requisitar livros da biblioteca itinerante. «Algum interesse têm», dizia ele referindo-se aos forasteiros. Mas como a vizinhança dos montes levava as obras e não pagava encheu-se de coragem e também decidiu pedir um livro. À luz do candeeiro a petróleo leu-o durante toda a noite. Então, quis saber quem era esse Gulbenkian, «aí está, quanto mais petróleo gastarmos mais ele ganha».

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Arte concetual e oficina


caderno sujo
Imagine que vai, que sai de casa e anda. Há poucos anos contaram-me que um homem de Pataias entrou no mar e andou, andou até se afogar. Imagine-se com tanta determinação, com tanta lucidez que começa a mexer as pernas com destino ao mais coerente dos acasos: nenhures. Não me parece que as ideias tenham só o handicap de não possuirem pernas, elas próprias não têm cabeça, destino certo. E se andarmos - em toda a arte -, se só andarmos, damos com a mais natural das portas, uma praia cheia.

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Do caderno sujo

Não é difícil explicar o pranto do ponto de vista fisiológico ou na perspetiva dos «sentimentos». À luz destas superficialidades o choro até virou uma técnica para espantarmos os nossos males: «faz bem chorar», «os homens também choram», etc. E por se ter tornado assim tão explicado e praticado, o choro é um bocejo, ainda que choremos como fazemos à morte: escondidos nas traseiras. Porém, a dor é imanente e irredutível, e a sua genuína manifestação vem da pedra que somos, muito mais lá detrás da língua, portanto. Esse grito, esse uivo, é o verdadeiro choro.

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Sexta feira


Vitória

Já vi vários rebentamentos. No topo do Parque Eduardo VII há um e na Cela Velha, no concelho onde resido, em homenagem ao general Humberto Delgado, há outro. Neste último desabrochar os estilhaços «caíram» longe e isso é uma originalidade. Encontrarmos peças à distância remetem-nos para as impressionantes forças do vulcão e da sua tampa. Mas as flores também explodem, abrem-se e projetam-se nas pétalas. Szymborska morreu. Cumpriu-se o ciclo e ficaram os pedregulhos.

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Um vírgula


Mainstream

Talvez julgando a reprodução de uma página de um qualquer livro, um aluno exclamou «parece mesmo uma fotocópia». Mas afora o brilho e a macieza quiseram saber sobre o número. Aquele Pi? O «um» é a bola maior. A partir daqui, da vírgula, todos os algarismos continuam a representar a grandeza das bolas mas vão decrescendo para a direita. O «nove» é a segunda bola em tamanho mas o primeiro a seguir à virgula (0,9), e assim colocados em ordem até à bola pequenina que é um «um» diferente do primeiro «um» unidade e que se situa no último lugar da fila. Perceberam a matéria e vieram aos pares, apontavam às bolas os dedos e faziam a relação. E gostaram muito e devem ter achado a arte útil. Talvez como à matemática. E a vírgula dividiu mesmo, como uma parede, os homónimos e falsos «uns».

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Do caderno sujo


Teoria das cordas, gordura para sapatos e verniz sobre papel

Perguntaram-me, agriões porquê! ...Porque vêm da merda, dos esgotos, a quem chamam ribeiras de céu aberto. «Fresquinhos, não os lave demasiado, freguesa, que lhes tira o ferro». Muitas vezes penso na sopa, não propriamente na sopa de agrião mas no caldo que somos e das implicações que isso acarreta. Por exemplo, a beleza como o polo oposto a esta argamassa impura ou mesmo como um seu produto refinado não é de todo aceitável. Nem como tentativa de fuga. Nem como contraste. Nem como miasma. Ou a beleza é um conceito espúrio ou é isto, uma realidade maculada.
  
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Plasma dos dias e não espuma dos dias


Gordura para sapatos e verniz; sobre papel; do caderno sujo

O caderno sujo é dos meus cadernos mais coerentes, ou dos mais lógicos, ou dos mais conformes com a realidade. É sujo, de facto, mas as manchas, as máculas de pigmento não passam das nodoazinhas plasmáticas da vida. Ainda não o acabei, mas estou a gostar do lustro envernizado, das proporções dos mundos, da composição e das frases que coloquei em alguns desenhos. Está-me a dar prazer especial abrilhantar a filhaputice e a doença, o carvão... essa merda toda que nos acompanha, a nós agriões.

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