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quarta-feira, 5 de março de 2014

Uma volta e depois outra

Nos anos sessenta e setenta existiam diferentes preconceitos em relação aos emigrantes consoante o país que escolhiam. Dizia-se por exemplo que, quem ia para o ultramar "ia à procura de um negócio para ficar" enquanto que, quem emigrava para a Europa não se importaria "de trabalhar para outrem" porque tinha em mente voltar para casa". Viu-se, os colonos regressaram todos, ao passo que muitos emigrantes que escolheram a Europa como destino ainda permanecem por lá. Poderá não ter havido vontade própria numa e noutra situação, mas a lição histórica serve para o presente: quem agora emigrar para Angola pensando "voltar", arrisca-se a "ficar" lá para sempre.
 
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terça-feira, 4 de março de 2014

De Cabinda ao Cunene

 
Clique para ler os tratados
 
O Expresso trazia esta semana um artigo sobre a reivindicação autonómica dos quiocos. Para termos uma ideia do que se trata recordemos o querido Mapa-cor-de-rosa: embora fosse uma ambiciosa carta "costa a costa" que uniria Angola a Moçambique e que incluiria o atual Zimbabwe e o oeste da Zâmbia, não continha nem o nordeste zambiano nem a Lunda angolana. Comparando com o posterior mapa angolano, era demasiado evidente e estranha a falta daquela "torre". Ou talvez não. Portugal estabeleceu uma série de acordos sobre os limites territoriais angolanos na década de oitenta do século dezanove: com a Inglaterra, França, Alemanha e com o belga Leopoldo; tratados que, como se vê na figura, excluíram o reino dos quiocos. Existe pois, base legalista para uma esperançada autonomia. Como o meu pai falava deste povo com entusiasmo, dizia que conhecia o ferro e que era artista, e pelo que aprendi com o Tchiôko em termos de lealdade, fiquei um admirador desta gente
 
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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Com mais ou menos água se fazem as ondas

 
No texto-legenda não consta nenhuma referência à minha "velhota". Qualquer coisita como "a quarta a contar da direita, na primeira fila, é a professora Zélia", chegava. A minha mui estimada professora Zélia era, por esta altura, a diretora-interina da escola do magistério primário e, no mesmo ano, foi galardoada, mui justamente, com a medalha honorífica da ordem da instrução pública. Estou, por estas e únicas razões, mui estupefato e mui magoado pela indiferença que o autor do livro votou à gloriosa minha mãe. Mas também mui maravilhado. A omissão dá azo à dúvida: será, não será?; e há logo tema para conversa com os irmãos e amigos. O livro é pródigo em gralhas que merecem mais do entusiasmado jogo de pesquisa e interatividade. Mui sinceramente, gosto de corrigir as ignaras obras, fazem-me sentir dentro delas (um elogio sincero). Na página apresentada, a data de 1945 é completamente absurda. E bastaria olhar para a fotografia com olhos de ver: uma piscina municipal deste tamanho em 1945 bem no interior angolano?!
 
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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Os agrimensores

 
Foi no segundo semestre de 1913 que - fez agora um século -, Gago Coutinho riscou no chão angolano a fronteira leste, a tal das linhas que formam um angulo reto perfeito. Relembrar a efeméride longínqua parece rebuscar demasiado a história, até porque Angola é hoje um país independente e Coutinho realizou feitos mais "espetaculares" pelos quais "apetece" ser lembrado.


Mas, para além da coragem física, da organização e dos conhecimentos de navegação profundos que Gago Coutinho revelou no hidroavião em 1922, a missão de 1913 exigiu trabalhos práticos de agrimensor que, digo eu, dão outra espessura à vida de qualquer um. E depois, há linhas que não se veem e também se cruzam.
 
Em 1914 nasceu a minha mãe - festejaria o centésimo aniversário em maio próximo - e em 1922, os meus avós transmontanos, radicados em Copacabana onde possuíam o "Botequim das Flores", viram com orgulho a sua Zelinha entregar orquídeas brasileiras aos homens acabados de chegar da Europa pelo ar.
 
Gago Coutinho deve ter vindo da costa leste africana até porque, pelo que li, ele encontrou-se com um capitão inglês, cidadão que representaria para o efeito, os interesses da grande e vizinha Rodesia. A empreitada porém, e como podemos verificar pelas coordenadas, não suscita dúvidas: paralelo 13º, meridiano 22º, e sempre a eito por uma e outra. E assim foi, "sozinho", pegou na tralha, teodolitos, binóculos, colheres de pedreiro e ala que se faz tarde.



Passe a construção geométrica do enredo, pelos sertões angolanos andou, também, muitos anos mais tarde a minha mãe, já então formada no pequeno retângulo. Houve pois, doses suficientes de romantismo naquele Portugal para o matar. A "pátria" que imaginaram morreu de sonhos comuns. Alguns ainda com os marcos visíveis mas outros completamente renovados pela primavera.
 
Epílogo. A fotografia mostra o local onde Gago Coutinho colocou o L16. Nota-se uma ilha no Zambeze, rio que corre para a Zâmbia, à nossa direita. Em rigor de "GPS", a linha fronteiriça situa-se uma centena de metros à esquerda (norte) da ilha. Não interessa agora o erro despiciente, para os instrumentos de que dispunha, Gago Coutinho fez um trabalho modelar, como, aliás, reconheceram as potências da época. Só que, lá para os lados onde enterraram a minha mãe, em Trás-os-Montes, quando se divide uma parcela, à operação assistem os vizinhos interessados e um salvado. Aqui foi o inglês que se fodeu.
  
Para consultar o espólio fotográfico da missão ide a este lugar.
 
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O fantasma sertanejo

Não me lembro de alguma vez ter ouvido falar no forte de Belmonte (Silva Porto), a cidade onde me fiz homem. No entanto ele existiu, prova-o uma fotografia que saquei do site do instituto de investigação cientifica tropical. Nela, vê-se um soldado no cimo de uma muralha de pau a pique e a bandeira nacional a drapejar no alto de um mastro. Para além desta evidência, a literatura colonial da época, a que só agora temos acesso pela internet, está cheia de referências ao forte. A imagem, que pertenceria aos álbuns de "Gago Coutinho", literalmente um homem da fronteira angolana, desapareceu, o que só adensa o mistério. Mas o importante mesmo é o buraco, ...como é que um forte, uma coisa assim bruta, enorme, castelo, desaparece de uma cidade e ninguém fala nisso? Nem scanando a capital do Bié, descobrimos vestígios ou rastos do forte mandado construir por Paiva Couceiro em 1890.  
 
 
 
Recuemos então à época da sua construção. A embala, casa respeitável do capitão-mor Silva Porto, localiza-se no cimo de uma encosta que sobe do rio Kuíto, cujas águas, já agora, vão para as bandas de Luanda via Kuquema e Kuanza. Para quem se acercava da embala pelo norte avistava-a, a mais de dez quilómetros, lá no alto da colina, razão pela qual, digo eu, o grande portuense terá chamado de Belmonte ao povoado emergente. Ampliando precisamente a vista magnífica, registada mais uma vez por Gago Coutinho dez ou vinte anos depois, reconhecemos a embala num conjunto perfilado de casas, tendo do seu lado esquerdo - direito, em relação a si, observadora -, um vulto, qual espetro, que poderá muito bem ser, o forte de que falamos.
 
 
 
 
A história, conformado pela localização, duzentos metros se tanto, a oés-sudoeste da embala, acabaria aqui, não fosse eu menino de grandes enredos.
 
 
Silva Porto, a bela cidade dos anos setenta do século XX, vivia agora uma paz nada suspeita, embora as ruas planificadas, as casas coloniais e o ar frio do cacimbo que a purificava e quietava, não a tivessem protegido mais tarde na guerra civil. Pois, naquele lugar que acabámos de identificar para o forte, havia na cidade curtida pela paz, um estranho edifício, rodeado por um muro alto. Cheguei a ter lá aulas e, lembro-me bem, foi de uma das suas janelas que ouvi pela primeira vez o motor de um helicóptero militar. Tratava-se da sede da PIDE/DGS e da prisão especial para homens especiais. Quando, já na guerra civil, rebentou o tiroteio na cidade e o edifício foi o primeiro a ser bombardeado, comecei a perceber as coisas de cernelha.
 

Teria Ndunduma ficado cativo neste forte? O soba que humilhou Silva Porto foi preso - uns dizem por Artur de Paiva, outros, por esclavagistas zanzibares -, e levado por Paiva Couceiro para o exílio em Cabo Verde que, de caminho, trouxe o corpo de Silva Porto. Digo eu, em epílogo, para explicar as idas e vindas das almas ao mundo e os buracos que elas deixam na memória.
 
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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Agora é que é: esplendor

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Planalto


Elefantes, crocodilos, leões, hipopótamos, rinocerontes, girafas, jiboias, terroristas e tipoias.

 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Social

Bairro Salazar, Silva Porto, Angola

Hotel Girão


Partiiiiiiida


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

5 de fevereiro de 2013



 
O 5º mapa mostra Angola dividida por paralelos: Congo, Angola, Benguela e Moçâmedes. Com exceção de Moçâmedes que está em cunha todas as regiões são corredores para o interior. As fotografias só comprovam a teoria, aceite na época, dos "homúnculos": a criança era vista como um adulto em miniatura. E pior: para se ser homenzinho não bastava vestir a rigor tinha que se ser carrancudo.
 
As fotografias são daqui.
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O grande Zambeze

 
No ano do bicentenário do nascimento de Livingstone, missionário - mas também aldrabão -, recordo outro grande associado: Silva Porto. Uma boa biografia deste português é a da Wikipédia (com exceção do capítulo "legado" onde há erros grosseiros sobre a população da cidade que teve o seu nome). Mas leiam-na, e comprovem o aventureiro e o patriota que foi no contexto anglófobo da segunda metade do XIX. Rio cuja nascente, indicada por Silva Porto, foi descoberta por Livingstone.
 
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sábado, 15 de dezembro de 2012

Anis nas ciências da educação


Cemitério do Cunje, antiga Gare

Faça a seguinte experiência: crie duas escolas secundárias, uma para os alunos entrarem "de imediato" no mercado de trabalho e outra para os estudantes "prosseguirem", posteriormente, os seus estudos. Agora verifique as origens sócio-económicas e culturais dos "utentes". Não nota nada?, então voltemos à experiência do passado:

No período colonial, em cem alunos de liceu - estabelecimentos vocacionados para o ensino propedêutico à universidade -, noventa e cinco eram filhos de colonos, "brancos", portanto, pessoas com pouca melanina; os outros cinco eram de pele escura, "corados", "tintos", "tingidos" pela melanina da pele. O inverso verificava-se nas escolas "técnicas", em cem alunos, noventa e cinco eram "escuros"; e, no seio deles, os "alvos" mas "pouco brilhantes", os cinco filhos de colonos.

Nem em laboratório, com os usuais corantes químicos, se conseguiria tanta clareza, tanta "diferenciação" sobre as escolas técnicas e os liceus. Contudo, a proposta que aí vem do governo é esta, "importada da Alemanha". A antiga ministra, MLRodrigues, referiu-se há tempos que a própria Alemanha - dos últimos países a conservar este anacrónico sistema de ensino -, estava a reconsiderar o modelo. 

Em conclusão, a medida é puramente ideológica, se houvesse a preocupação genuína em combater o insucesso escolar com alternativas mais práticas para os alunos "desinteressados", investiam no currículo comum a todos, flexibilizavam-no, aprofundavam as aulas práticas de evt, voltavam à área de projeto, e compravam mais tico-ticos, computadores... para que todos, incluindo os futuros "doutores", soubessem martelar um prego.

O resultado de passarmos por mais uma experiência deste género vai ser um retrocesso enorme em termos sociais, reproduzir-se-ão as "cores" como vimos, mas também haverá um abaixamento do nível educativo médio, porque para se ser bom "engenheiro" é preciso pôr o capacete e ir às obras. É grave, o Seguro devia exigir eleições. Já. Uma coisa é entregarmos subsídios, outra, é renunciarmos à dignidade humana.

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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Ex-Silva Porto e atual Kuito



Quando soube do 25A estava ali, debaixo do reclame da Nocal, na porta do pavilhão; mais importante: o Peujeot branco era do Semião. E em rigor, o prédio do Zé-Luís, já está com a fachada recuperada.

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Mensagens

"Os verdes do mato não acabam" esteve para se chamar "Tchissingui, terra longe demais". Qualquer dos títulos serve o tema tratado no livro, mas o segundo diz-me diretamente respeito. O Tchissingui (Chissingue, como eu gosto pronunciar), foi a casa onde nasci. Quanto ao livro, é do Nini, filho dos donos desta casa-maternidade, o casal Coutinho. Não sou muito literário, nem nos sentimentos, mas ainda assim trabalho as minhas mensagens: "se pudéssemos escolher o sítio do nosso nascimento, eu escolheria o meu fadado".

Dei com o João Coutinho, o Nini, mais a sua obra, neste blogue.

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sábado, 1 de dezembro de 2012

Já é domingo


"Look at me, batuteiro"

Quanto a "animais", tema d'hoje, muitos de nós ficam fascinados pela sensação de calma que alguns nos transmitem. Eu explico, deitem-se: quando a lua está mais afastada do horizonte parece mais pequena. Assim são os os cães e os gatos aos homens próximos e inquietos: grandes e serenos.

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domingo, 18 de novembro de 2012

Dos olhos que veem



É muito raro um livro não possuir erros - alguns até científicos -, ou enganos, gralhas, imprecisões, incorreções essas que na maioria dos casos não retiram valor às obras, vistas nas suas individualidades e de acordo com as teses aí delineadas. Alguns livros, arrisco-me a dizê-lo, ganham até com isso, ficam como aquelas moedas mal cunhadas mas muito valiosas para colecionadores. No "Paiva Couceiro" de VPValente lembro-me da minha terra, Silva Porto, a 500 ou 600 km mais a sul. Enfim, Angola, não a Angola colonial, mas esta Angola bic, não só não perdeu nada com a geografia do autor como, inclusivamente, deve muito a Paiva Couceiro pelo que contribuiu para a fixação das suas largas fronteiras, e isso é o mais importante. Mas os livros são como as pessoas, além de borbulhas visíveis, à vezes têm encantos mais escondidos. A fotografia escafandrista apresenta o naipe completo das irmãs que lecionavam no "colégio das madres" da minha cidade. No livro "Angola, amor impossível", o Dr. Passos Coelho, narra a sua paixão por uma destas senhoras. Qual seria?

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Blogaria

 
Antiga (1926/7) ponte ferroviária do Cuanza no centro leste de Angola, km 725, com 160 m, e a recentíssima ponte construída pelos chineses. Foto do google maps.
 
O autor do "Roxa Xenaider" tinha noventa e três anos na altura do último post (out. 2008). Seja o que for que lhe tenha acontecido - esperemos que nada de grave -, o blogue mantém-se ainda neste mundo virtual para o prazer de quem gosta de ler sobre cinema, fotografia ou Angola. João Silva, de quem falamos, trabalhou toda a vida com máquinas que veem o mundo; terá, porventura, um rico espólio fotográfico e fílmico de Angola. Cheguei ao seu blogue por acaso ontem à noite, quando procurava fotografias da famosa ponte do Cuanza, em Camacupa, uma ponte simbólica na conquista do leste angolano e já completamente fora de serviço. Post fundador do Roxa Xenaider.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Carta de Silva Porto



Palmas, para autorretrato só lhe falta as orelhas

Para o ano os britânicos comemoram o bicentenário do nascimento de Livingstone. Antes dos foguetes, antes do Gugle,  ouçamos Silva Porto: "O reverendo dr. David Livingstone mereceu, sem duvida, a corôa que seus concidadãos lhe votaram pelos serviços prestados n'estas partes de Africa; no entretanto, força é confessal-o, ella foi desfeita pelo illustre viajante, visto havel-a manchado com a peçonha da calumnia".

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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Altos e baixos



Desenho para betumar os intertícios do dia, fica assim tudo ao mesmo chão: as horas, os minutos e os segundos; e não há melhor argumento do que os pulmões e o coração para vivermos ininterrupta e compassadamente. Acompanhemos-lhos pois, no rame-rame.
 
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Um dia, o velho empregado do Venâncio despediu-se, queria estabelecer-se; passado tempo, o ex-patrão viu-o numa caranguejola a transportar areia e mandou-o chamar: "ouve lá, então é assim que queres criar fortuna?, leva a Hanomag, pagas-me quando enriqueceres".
 
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