domingo, 28 de abril de 2013

Voltei

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Estas merdas de me ligarem quando descanso tem que acabar. Portugal, que inclui plantas e animais, e rios, é um país de se ver. No meu périplo recente pelo mundo, embrenhei-me por Trás-os-Montes para o olhar de cima, isto é, para o ver com a distância dos anos e o afastamento do coração. Assim que cheguei à porta da aldeia da minha mãe perguntei a dois ganapos, com o rigor das alturas, se sabiam o nome "daquelas" árvores; eles não responderam como se me indicassem o nome de uma rua ou dessem a um qualquer viajante uma orientação (vire na segunda à direita e depois siga até aos semáforos), não, eles retorquiram como se eu andasse efetivamente perdido no mundo, género "nem o teu nome sabes, caralho". Passando à frente. Os castanheiros dão castanhas mas já deram batatas. Séculos à mesa a servir de acompanhamento, guarnição a nada. Estes que aqui vedes têm centenas de anos e foram do meu avô, possivelmente do meu duodecavô. Claro, se a Santa Casa me ajudar invisto no circuito todo: investigação, melhoria, plantação, apanha, venda e falência. Para terminar não queria deixar passar em claro esta unanimidade, a melhor castanha do mundo é a portuguesa, e dentro do ouriço, a melhor é a de Trás-os-Montes. Torga, do Marão, dizia-se do universo; ora, de mais alto fui eu à aldeia da minha mãe.
 
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